Veganismo “de Estado”? Governos ao redor do mundo aceleram esforços que promovem o vegetarianismo

Frear o aquecimento global é a principal motivação por trás de políticas que visam reduzir dramaticamente o consumo de carne

Dieta vegana. Governos mexem na dieta para reduzir consumo de carne
Dieta vegana. Governos mexem na dieta para reduzir consumo de carne
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Leonardo Sobreira, 247 - A crise ecológica é um fenômeno que afeta todos nós, em diversos aspectos de nossas vidas. O consumo de carne, por exemplo, é um dos tópicos controversos, tendo em vista a maneira como este está enraizado na culinária de múltiplos países. 

No entanto, de acordo com a publicação Our World In Data em 2019, as indústrias pecuárias e da pesca são responsáveis por 31% das emissões de gases do efeito estufa da indústria alimentícia, que em si é responsável por 26% das emissões totais.

Segundo a ONG ambientalista World Resources Institute, a agropecuária no Brasil, país com o maior inventário de gado no mundo, é responsável por 1.09% das emissões totais, estando apenas abaixo da China e da Índia, que emitem, respectivamente 1.58% e 1.53%..

O relatório demonstra que, enquanto a maior parte dos recursos de combate à crise ambiental são direcionados ao setor energético, “o sistema alimentício global, o que envolve a produção, e processos pós-agriculturais como processamento e distribuição, também é um contribuidor chave para as emissões.” A tragédia é que, diferentemente do setor energético, este é “um problema para o qual ainda não temos soluções tecnológicas viáveis.”

Assim, a única solução possível se torna a implementação de pressões externas à pecuária. 

Alguns países e regiões já se mobilizaram consideravelmente nesta direção. Um dos exemplos mais notáveis é o da China, que em 2016 anunciou um ambicioso plano dietário que visa reduzir suas emissões dos gases do efeito estufa em um bilhão de toneladas até 2030.
De acordo com o Guardian, “a emergência da China como uma potência econômica global alterou radicalmente a dieta da população recentemente enriquecida. O chinês mediano agora consome 63 kg de carne por ano [a média era de 13 kg em 1982], com mais 30 kg de carne por pessoa estimados até 2030 se nada for feito para parar essa tendência. As novas diretrizes visam reduzir isso para entre 14 kg até 27 kg por ano.”

O Partido Comunista da China já baniu o comércio e consumo de animais selvagens após pressão internacional no início da pandemia. O que muitos contemplam agora é se um esforço mais radical (talvez envolvendo um imposto pesado) trará resultados positivos. 

Na União Europeia, o bloco vem debatendo a possibilidade de introdução de um “imposto sobre a carne.” Com isso, o preço da carne subiria 25% no Reino Unido. Na Alemanha, os Sociais Democratas e os Verdes pretendem mais que dobrar o VAT (o imposto sobre o consumo) sobre a carne. 

No Brasil, o imposto também subiu em algumas regiões, mas ele não impacta em quase nada o preço na prateleira do mercado. 

ovimentações como propostas de redução de impostos para amenizar o impacto da pandemia na indústria vem ganhando força demonstram uma falta de consciência do tamanho do problema aqui.

Além disso, uma potencial mudança tão radical na estrutura global de demanda pela carne pode impactar seriamente a economia brasileira. Recusar-se a tomar medidas modernas significa “largar atrás” em uma corrida que promete recalibrar o modo de vida das pessoas.

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