“Águas lúcidas e montanhas verdejantes são bens inestimáveis”: o novo paradigma chinês para a cooperação ambiental internacional

Longe da retórica inflamada e da ameaça de sanções, a China enfatiza a cooperação ambiental Sul-Sul adequada às necessidades dos países em desenvolvimento

Leonardo Sobreira, de Pequim (247) - “Águas lúcidas e montanhas verdejantes são bens inestimáveis”. É com esse conceito, proposto e constantemente reiterado pelo presidente Xi Jinping, que a China fundamenta seus esforços na promoção do desenvolvimento sustentável, tanto em casa como em outros países.

No gigante asiático, uma revolução verde está em curso. No ano passado, 46% de toda a construção de infraestrutura para energia renovável no mundo aconteceu na China. 26% de todas as vendas de carros no país são veículos elétricos, e o consumo de carvão vem caindo gradativamente, apesar de ainda ser preponderante na matriz energética. Consequentemente, o país reduziu a poluição do ar em sete anos quase tanto quanto os Estados Unidos em três décadas, contribuindo como nenhum outro à redução nos níveis médios globais de poluição. 

Ao mesmo tempo, a China propõe um novo paradigma para a cooperação internacional no âmbito da sustentabilidade. Em 2011, o Ministério do Meio Ambiente e Ecologia lançou diversas iniciativas, diálogos e centros de cooperação com o Sul Global. A pasta também apoia projetos como o Cinturão e Rota Verde e o fornecimento de assistência humanitária no alívio de desastres climáticos. 

CONTINUA DEPOIS DAS RECOMENDAÇÕES

Segundo Li Yonghong, vice-diretor-geral do Centro para Cooperação Internacional em Sustentabilidade, órgão afiliado à pasta, “a China é um membro ativo da governança global ambiental, tendo fortalecido a cooperação com todas as regiões do Sul Global”. Falando em coletiva para jornalistas estrangeiros, ele destacou acordos de cooperação intergovernamental assinados com departamentos de Meio Ambiente de países latino-americanos, incluindo o Brasil, para identificar áreas de cooperação e promover a capacitação técnica. 

O principal diferencial da atuação da China na governança global ambiental é a consideração das necessidades dos países em desenvolvimento, disse Ma Aimin, vice-diretor-geral do Centro Nacional para Estratégia de Mudança Climática e Cooperação Internacional. Enquanto países desenvolvidos estabelecem metas de redução de emissões elevadas, estes não apoiam devidamente os países em desenvolvimento, que também possuem metas muito altas, em seus esforços, criticou o oficial. 

“Os países desenvolvidos deveriam ter fornecido 100 bilhões de dólares por ano aos países em desenvolvimento para combater a mudança climática, mas essa meta nunca foi alcançada”, pontuou Ma, em referência ao Fundo Verde do Clima, estabelecido na COP-16. 

Nesse sentido, a China estabelece um novo paradigma para a cooperação ambiental Sul-Sul, que leva em consideração “as necessidades dos países em desenvolvimento e a capacidade da China”, disse ele. “É um paradigma que adequado para ambos os lados”. 

Esse modelo de cooperação se diferencia das relações entre o Ocidente e o Sul Global. Enquanto os países ricos ameaçam com sanções países em desenvolvimento, como o Brasil, a China enfatiza que a responsabilidade pela preservação das florestas tropicais é unicamente destas nações. 

“Apoio deve ser oferecido a estes países pelos países desenvolvidos, que devem ser os primeiros a cortarem emissões e a fornecerem tecnologias”, destacou Ma. 

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

O conhecimento liberta. Quero ser membro. Siga-nos no Telegram.