Cientistas alertam para piora de incêndios na Amazônia e Pantanal em 2021

"O período chuvoso já encerrou, e o período chuvoso foi ruim", disse Marcelo Seluchi, meteorologista do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. "O período de fogo provavelmente será pior"

Incêndios atingem o Pantanal 26/08/2020
Incêndios atingem o Pantanal 26/08/2020 (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)
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Por Jake Spring (Reuters) - O clima seco neste ano aumenta o risco de incêndios graves na floresta amazônica e no Pantanal, disseram cientistas, alertando que a seca pode impulsionar a destruição de biomas essenciais para conter as mudanças climáticas.

No ano passado, o clima seco teve influência no registro recorde de incêndios no Pantanal, enquanto a Amazônia sofreu a pior onda de incêndios desde 2017, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A estação chuvosa deste ano --que vai de novembro a abril-- foi ainda mais seca em partes ameaçadas da Amazônia, conhecidas como o "arco do desmatamento", mostram os dados do Inpe.

A seca deste ano no Pantanal é mais severa e generalizada do que a de 2020, segundo os dados.

"O período chuvoso já encerrou, e o período chuvoso foi ruim", disse Marcelo Seluchi, meteorologista do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. "O período de fogo provavelmente será pior."

Os incêndios e o desmatamento na floresta amazônica aumentaram desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o cargo, em 2019, com uma defesa do desenvolvimento econômico da região.

Defensores do meio ambiente dizem que a retórica de Bolsonaro e o enfraquecimento da fiscalização ambiental têm incentivado criminosos a derrubar e incendiar árvores reivindicando terras públicas.

Os cientistas dizem que a preservação da Amazônia e do Pantanal é vital para frear as mudanças climáticas catastróficas, graças a sua capacidade de absorção de grandes quantidades de gases do efeito estufa.

A previsão para os próximos meses é que a seca continue ao sul do rio Amazonas, disse Renata Libonati, especialista em sensoriamento remoto da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"Qualquer ignição tem muita probabilidade de gerar grandes incêndios e que saia do controle", disse Libonati.

Embora essas regiões vulneráveis experimentem menos chuvas do que o normal, a parte norte da bacia amazônica está inundando devido às fortes chuvas.

Esse fenômeno tem relação com climas extremos que os cientistas esperam ver com mais frequência devido às mudanças climáticas, disse Maria Silva Dias, cientista atmosférica da Universidade de São Paulo (USP).

O clima mais extremo na Amazônia está relacionado em parte com o aquecimento do Atlântico Norte tropical nos últimos 20 anos, levando a ventos mais fortes e mudanças na circulação atmosférica, disse Dias.

Ela e outros cientistas alertaram que ninguém sabe ao certo o quanto a mudança climática está contribuindo para as mudanças nos padrões de chuvas. "Esta é uma questão em aberto com a qual ainda nos preocupamos", disse Dias.

A mudança climática é provavelmente um dos vários fatores que afetam as chuvas, juntamente com o desmatamento da Amazônia, alterando os padrões regionais de precipitação e os ciclos de longo prazo existentes no clima.

Enquanto o tempo seco fornece combustível, os homens ateiam fogo.

Incêndios naturais, como aqueles causados por raios, são extremamente raros na exuberante floresta tropical.

Os incêndios na Amazônia são geralmente iniciados por agricultores renovando plantações ou fazendeiros e garimpeiros desmatando ilegalmente as terras.

Defensores do meio ambiente dizem que Bolsonaro tem deixado a impressão de que essas pessoas não serão punidas por causar incêndios.

"O que está acontecendo é que as pessoas sentem que nada vai acontecer com elas se queimarem, e depois queimam", disse Dias. "Não é só o clima... tudo depende de a lei ser aplicada."

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