Abraji condena incitação à violência nas redes após agressão a Glenn Greenwald

"A onda de reações que se seguiu ao episódio dispara um alerta que não pode ser ignorado a respeito do estágio que a hostilidade aos jornalistas e aos veículos de imprensa atingiu no Brasil. Quem atiça esse clima de hostilidade tem intenção de calar vozes críticas e sufocar a liberdade de expressão", diz a Abraji em nota

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Reprodução/Youtube (Foto: Reprodução/Youtube)

247 - A Associação Brasileira de Jornalismo Investivo (Abraji) lamentou a agressão praticada pelo jornalista Augusto Nunes contra o jornalista Glenn Greenwald nesta quinta-feira, 7, durante o programa Pânico, na Jovem Pan (leia mais no Brasil 247). 

Em nota, a Abraji criticou a incitação da violência contra jornalistas feita nas redes sociais, principalmente por apoiadores de Jair Bolsonaro. 

"A onda de reações que se seguiu ao episódio dispara um alerta que não pode ser ignorado a respeito do estágio que a hostilidade aos jornalistas e aos veículos de imprensa atingiu no Brasil. Quem atiça esse clima de hostilidade tem intenção de calar vozes críticas e sufocar a liberdade de expressão - sem ela, as outras liberdades também morrerão", diz a Abraji em nota. 

Leia, abaixo, o texto na íntegra:

Após agressão física a jornalista, redes são palco de onda de incitação a violência

A agressão física de Augusto Nunes contra Glenn Greenwald, após uma discussão acalorada deu início a uma onda de ataques à imprensa, na internet, como poucas vezes vimos nos últimos anos no Brasil.

A cena de violência, difundida exponencialmente nas redes sociais nesta quinta-feira, 7/11/2019, passou a ser usada a seguir como exemplo de comportamento a ser adotado pelos descontentes com a imprensa em geral – a despeito do episódio em si envolver desavenças e comentários de cunho pessoal entre Nunes e Greenwald.

Como em outras ocasiões, membros do governo e pessoas influentes no poder difundiram mensagens de incitação direta à violência, como no caso de Olavo de Carvalho, ou de aprovação velada, como no caso de um dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro.

A Abraji emite notas sobre ameaças a jornalistas no exercício da profissão. O debate ocorrido na emissora não corresponde a esse parâmetro. Entretanto, a onda de reações que se seguiu ao episódio dispara um alerta que não pode ser ignorado a respeito do estágio que a hostilidade aos jornalistas e aos veículos de imprensa atingiu no Brasil. Quem atiça esse clima de hostilidade tem intenção de calar vozes críticas e sufocar a liberdade de expressão - sem ela, as outras liberdades também morrerão.

Diretoria da Abraji, 7 de novembro de 2019.

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