Altman: problema da direita liberal com Bolsonaro é que o capanga virou presidente

O jornalista Breno Altman considerou “falsa” a "campanha pela democracia" da direita liberal, expressa no manifesto do jornal Folha de S.Paulo no editorial deste domingo (28), e disse que o grande incômodo do setor é que "o fato de Jair Bolsonaro hoje ser presidente fugiu do roteiro original, capanga deveria seguir como capanga”

Breno Altman
Breno Altman (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | Reprodução)
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247 - O jornalista Breno Altman, em participação no programa Bom Dia 247 desta segunda-feira (29), comentou a respeito do editorial do jornal Folha de S.Paulo, que lançou neste domingo (28) a "campanha pela democracia". Na visão do jornalista, a burguesia neoliberal não está preocupada com a democracia e relembra que o setor “fez uma ampla campanha pelo impeachment ilegal de Dilma Rousseff”, deposta em 2016 da presidência da República. 

Ele acrescentou que a defesa da burguesia brasileira pela democracia “é uma farsa”. “Essas duas frações estão em choque no bloco conservador, o neofascismo de um lado e a direita neoliberal de outro. Os dois são golpistas, antipopulares e antidemocráticos, não possuem diferença”. 

“Bolsonaro era para direita neoliberal como os capangas nos latifúndios, responsáveis pelo serviço sujo, enquanto o latifundiário ia para cidade com a roupa limpa. O fato de Bolsonaro hoje ser presidente fugiu do roteiro original, o capanga deveria seguir como capanga”, acrescentou ele. 

Bolsonaro io-io

Altman destacou que Bolsonaro governa de olho em quatro segmentos. “Ele tem um olho no STF e Congresso, afinal, podem cassar seu mandato. Um outro olho no opinião pública, pois, se ele despenca dos 30% de seu apoio, ele desidrata sua base social e um quarto olho nos militares, é vital para ele manter o apoio das Forças Armadas, por isso ele os afaga financeiramente”. 

O jornalista esclareceu em sua análise que “Bolsonaro tem traços de psicopatia, é uma figura grotesca, mas temos que enxergá-lo para além disso”. “Ele sabe fazer o jogo da política, mesmo que busque o enfrentamento permanente. Ele opera como io-io, joga na ofensiva e recua, ataca e recua”.

“Hoje ele encontra-se numa defensiva maior com a prisão de Queiroz, mas não é uma defensiva permanente. Ele perdeu força política, mas logo voltará para ofensiva, ele precisa disso para seguir com a hegemonia do bloco conservador”, concluiu o jornalista.  

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