André Singer: desmoronamento do governo abre espaço para oposição

O cientista político André Singer afirma que a precipitação de fatos deletérios para o governo Bolsonaro constituem um cenário positivo para a oposição, mas destaca que faltam alternativas convincentes para a formação de uma maioria; ele diz que a segurança pública é o primeiro gargalo: "foi devido à prolongada incapacidade do Estado brasileiro oferecer garantias às periferias que as milícias cresceram no Rio de Janeiro. A sua expansão parece ter ido ao ponto de simplesmente optar pela eliminação de adversários políticos"

André Singer: desmoronamento do governo abre espaço para oposição
André Singer: desmoronamento do governo abre espaço para oposição (Foto: Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

247 - O cientista político André Singer afirma que a precipitação de fatos deletérios para o governo Bolsonaro constituem um cenário positivo para a oposição, mas destaca que faltam alternativas convincentes para a formação de uma maioria. Ele diz que a segurança pública é o primeiro gargalo: "foi devido à prolongada incapacidade do Estado brasileiro oferecer garantias às periferias que as milícias cresceram no Rio de Janeiro. A sua expansão parece ter ido ao ponto de simplesmente optar pela eliminação de adversários políticos."

Em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo, Singer avança: "desde esse ponto de vista, a prisão dos supostos executores da vereadora psolista poderia representar um ponto de partida para a desmontagem do sistema de violência privada que se apoderou de áreas da cidade. No entanto, é preciso saber o que colocar no lugar. O balanço das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e a consequente formulação de propostas que as incorporem e superem é urgente."

E acrescenta: "da mesma maneira, o sinistro ataque à escola Raul Brasil na Grande São Paulo, além da indispensável solidariedade às vítimas, às famílias e aos colegas, precisa ser encarado do ponto de vista das políticas públicas. Se a resposta oficial —armar os professores— não é adequada, o que se deve fazer? Aquilo que os norte-americanos chamam de "school shootting" cresceu muito nos EUA na última década, configurando uma doença social cuja terapêutica precisa ser encontrada. Dificultar o acesso a todos os tipos de arma ajudaria a diminuir o número de casos, afirmam os especialistas. Porém medidas complementares, como abrir canais de escuta para jovens com dificuldade de pertencimento ao meio, parecem igualmente necessárias."

 

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