Ao dizer 'esquerda nunca mais', Bolsonaro se mantém em guerra ideológica

Ao elogiar o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner e dizer 'esquerda nunca mais' na cerimônia de nomeação de autoridades na Usina Binacional de Itaipu, Jair Bolsonaro deixa claro que continua em guerra ideológica permanente e que não sabe habitar um mundo fora dela; a insistência na narrativa polarizada, inflamada e ressentida explica o isolamento crescente de um presidente que passa ao largo da ação conciliatória característica de todo início de governo; Bolsonaro 'forra' sua bolha de apoio residual que, segundo as últimas pesquisas, tende a estourar, devido à queda de adesão ao seu projeto, ao seu discurso, às suas ações e aos seus ministros

Ao dizer 'esquerda nunca mais', Bolsonaro se mantém em guerra ideológica
Ao dizer 'esquerda nunca mais', Bolsonaro se mantém em guerra ideológica (Foto: Alan Santos/PR)

247 - Ao elogiar o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner e dizer 'esquerda nunca mais' na cerimônia de nomeação de autoridades na Usina Binacional de Itaipu, Jair Bolsonaro deixa claro que continua em guerra ideológica permanente e que não sabe habitar um mundo fora dela. A insistência na narrativa polarizada, inflamada e ressentida explica o isolamento crescente de um presidente que passa ao largo da ação conciliatória característica de todo início de governo. Bolsonaro 'forra' sua bolha de apoio residual que, segundo as últimas pesquisas, tende a estourar, devido à queda de adesão ao seu projeto, ao seu discurso, às suas ações e aos seus ministros. 

A teimosia de Bolsonaro - em não acenar para um discurso mais próximo de seu vice, o general Hamilton Mourão, que enxerga a necessidade de 'somar' e não de dividir - pode custar caro. Já está custando, na verdade. O Congresso acusa a ausência de articulação do governo, que patina nos dois meses sem oferecer qualquer espécie de parâmetro político de negociação. 

Com a popularidade em queda, filhos em estado de permanente tensão, protagonismo de seu vice, derretimento das exportações para a China (que começa a comprar dos EUA com mais voracidade) e declarações cada vez mais infelizes, Bolsonaro caminha impávido para o cadafalso da história.

O carnaval também chega para espremer sua rotina de fuga: o grito de desabafo político do Blobo Baixo Augusta (Bolsonaro, vai tomar no c...), com mais de um milhão de pessoas nas ruas de São Paulo tende a dar o tom deste carnaval por todo o Brasil, com denúncias a laranjas, desvios, favorecimentos e corrupção em geral, traço que dilacera um governo que mal começou. 

 

 

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