Após cerco judicial ao clã, Globo sinaliza que o projeto da elite ainda é enquadrar – e não derrubar Bolsonaro

Editorial do jornal da família Marinho diz que Jair Bolsonaro deve agora dedicar-se ao trabalho, e não mais a seu projeto autoritário. Ou seja: as elites tentam mantê-lo sob controle

(Foto: PR | Reprodução)
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247 – A elite brasileiro ainda não pretende derrubar Jair Bolsonaro. Quer apenas enquadrá-lo. É isso que se depreende do editorial deste sábado do jornal O Globo. "Bolsonaro, família e seguidores vinham num crescendo de ameaças até que o Judiciário, que opera em outro ritmo, fez movimentos que começaram a fixar limites a devaneios políticos autoritários. Mandados de busca e apreensão determinados pelo juiz Alexandre de Moraes, do Supremo, no inquérito das manifestações antidemocráticas, alcançaram 11 parlamentares bolsonaristas e alguns empresários ligados ao grupo. Funcionaram como uma advertência a quem considera estar fora do alcance da lei porque Jair Bolsonaro se encontra no Planalto e mora no Alvorada", aponta o texto.

"Um outro inquérito, também com Moraes à frente, sobre a produção de fake news e ataques ao Supremo e a seus juízes, teve a sua constitucionalidade referendada pela Corte, ao mesmo tempo em que o habeas corpus impetrado pelo próprio ministro da Justiça, André Mendonça, um ineditismo, para a retirada do ainda ministro da Educação, Abraham Weintraub, deste caso, não foi aceito", lembra ainda o editorialista, que também cita as prisões de Sara Geromini e Fabrício Queiroz.

"Bolsonaro se recolheu, e a intensidade de suas redes sociais caiu. Agora, o presidente deveria tratar de governar, arregaçar as mangas e dar expedientes no Planalto para acompanhar o seu governo. Ele demonstra não se dedicar como deveria à agenda real do Brasil", cobra o editorial. "Se esta agenda de trabalho existe, ela precisa ser divulgada. Daria pelo menos alguma satisfação à população, que, em sua grande maioria, espera que o presidente tenha sido eleito, mesmo que não haja votado nele, para tentar resolver problemas dela, não com o objetivo de executar um projeto delirante de poder."

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