Até Estadão diz que Doria precisa trabalhar mais e viajar menos

Estadão fez um editorial passivo-agressivo dedicado ao ex-prefeito de São Paulo em exercício João Doria; além de puxar as orelhas da figura, sugerindo que se preocupe mais com o cargo para o qual foi eleito, o jornal afirma que ele sempre foi político e empresário, “ao contrário do que disse em sua campanha”; JD “não pode deixar de lado as obrigações que assumiu, como ‘gestor’, e há tão pouco tempo”

Estadão fez um editorial passivo-agressivo dedicado ao ex-prefeito de São Paulo em exercício João Doria; além de puxar as orelhas da figura, sugerindo que se preocupe mais com o cargo para o qual foi eleito, o jornal afirma que ele sempre foi político e empresário, “ao contrário do que disse em sua campanha”; JD “não pode deixar de lado as obrigações que assumiu, como ‘gestor’, e há tão pouco tempo”
Estadão fez um editorial passivo-agressivo dedicado ao ex-prefeito de São Paulo em exercício João Doria; além de puxar as orelhas da figura, sugerindo que se preocupe mais com o cargo para o qual foi eleito, o jornal afirma que ele sempre foi político e empresário, “ao contrário do que disse em sua campanha”; JD “não pode deixar de lado as obrigações que assumiu, como ‘gestor’, e há tão pouco tempo” (Foto: Aquiles Lins)

Do Diário do Centro do Mundo - O Estadão fez um editorial passivo-agressivo dedicado ao ex-prefeito de São Paulo em exercício João Doria.

Chama-se “A Cidade Precisa de Doria”.

Além de puxar as orelhas da figura, sugerindo que se preocupe mais com o cargo para o qual foi eleito, o jornal afirma que ele sempre foi político e empresário, “ao contrário do que disse em sua campanha”.

JD “não pode deixar de lado as obrigações que assumiu, como ‘gestor’, e há tão pouco tempo.”

A corrida presidencial, para o Estadão, pertence ao Picolé de Chuchu.

Leia, abaixo, o editorial do Estadão, publicado nesse sábado, 12:

A cidade precisa de Doria

A atividade política cada vez mais intensa de João Doria, que busca projetar-se nacionalmente de olho na eleição presidencial do ano que vem, contrasta com a necessidade da capital de ter a presença mais assídua do prefeito para cuidar dos problemas que se avolumam e para a solução dos quais ele foi eleito. Salta aos olhos que as disputas partidárias e as questões nacionais já dividem o tempo e as atenções de Doria com os assuntos diretamente ligados ao difícil dia a dia dos paulistanos.

Apesar de eleito no primeiro turno prefeito da maior cidade do País, contra todas as expectativas, apadrinhado pelo governador Geraldo Alckmin e apresentando-se como um gestor, fugindo do desgastado estereótipo do político tradicional, Doria tem se revelado mais hábil como político do que como administrador. Em pouco tempo, firmou-se, se não propriamente como uma liderança de seu partido, o PSDB – o que demanda tempo e contato paciente com as bases –, ao menos como de suas figuras mais notórias, a ponto de criar incômodos aos chefes tradicionais.

O prefeito paulistano logo passou a frequentar as reuniões da cúpula de seu partido, acaba de receber afagos do presidente Michel Temer, o qual se diz grato por ele favorecer a permanência do PSDB no governo, e faz acenos ao PMDB e ao DEM, para contar com seu apoio numa eventual disputa presidencial ou até mesmo para encontrar abrigo num dos dois se o terreno lhe escapar no PSDB. Essa é uma atividade que obriga Doria a multiplicar suas viagens pelo Brasil.

Quando não está em Brasília, que é referência obrigatória para quem se torna, como ele, figura nacional, pode estar em Salvador, como aconteceu segunda-feira passada, em entendimentos com o prefeito ACM Neto, um dos principais líderes do DEM, quando – isto também faz parte da vida de alguém na posição a que acaba de chegar – foi atingido por ovo atirado por opositor mal educado. Doria já tem muitas outras viagens programadas pelo Brasil nos próximos meses: ao Tocantins, ao Espírito Santo, a Rondônia, à Paraíba, entre outras.

O prefeito tem todo o direito de, como político – que ele sempre foi tanto quanto empresário, ao contrário do que disse em sua campanha –, aproveitar a oportunidade que se abre para ele de voos mais altos. Mas não pode deixar de lado as obrigações que assumiu tão enfaticamente, como “gestor”, e há tão pouco tempo. Tem lá suas razões o presidente da Assembleia Legislativa, Cauê Macris, aliado de Alckmin, quando cobra: “O Doria precisa pavimentar as ruas da cidade, porque a pavimentação para a disputa presidencial está sendo consolidada pelo governador”.

Muito mais do que ao governador, Doria tem um dever de lealdade aos paulistanos. Obrigação de honrar o compromisso que assumiu de tentar resolver os problemas da cidade. São prosaicos, não têm o glamour da grande política, mas foi para isso que o prefeito foi eleito. E Doria não deve se esquecer de que é justamente o bom desempenho no cargo de prefeito que lhe possibilita sonhos mais altos.

E o bom desempenho significa fazer funcionar a contento os serviços municipais: semáforos que parem de enguiçar a toda hora e, quando enguicem, sejam logo consertados; tapar buracos com rapidez, impedindo que eles se multipliquem e virem crateras; acelerar a licitação para a assinatura dos novos contratos com as empresas de ônibus, em bases que garantam um serviço de melhor qualidade aos usuários. E daí por diante, na solução de problemas da rede de saúde e de educação que afetam a vida diária do paulistano. E também que encontre – se é que isso é possível – uma maneira de minorar os efeitos da decisão infeliz e demagógica de congelar a tarifa de ônibus, que obriga a Prefeitura a tirar dinheiro de outros setores da administração para cobrir o buraco dos subsídios dos ônibus. Ser gestor é fazer isso.

E só sendo um bom gestor, como Doria prometeu, é que ele pode pensar e cuidar de ter também um destino nacional.

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