Capitalismo de adultos

Na final do Super Bowl, um país em recessão tem uma epifania emocional, econômica e criativa. Poderíamos fazer algo parecido?

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Um grupo de octogenários escapa do asilo e vai se divertir pela cidade. Eles fazem todo tipo de molecagens e se esbaldam numa danceteria, onde dão grandes demonstrações de afeto. Um idoso mostra o mamilo em público, outro faz uma imensa tatuagem nas costas. De madrugada, estatelados no estacionamento da lanchonete Taco Bell, comem em grandes bocadas os tacos, os pastéis e os burritos. Fazem tanto barulho que tomam um pito de uma viatura de polícia. De manhã, voltam felizes pro asilo. Foram jovens por uma noite.

A Taco Bell pagou por volta de oito milhões de dólares pra veicular essa breve narrativa de um minuto no intervalo da final do Super Bowl 2013, organizado pela liga nacional NFL e veiculado pela gigante CBS. Segundo a imprensa norte americana, a emissora não teve problemas ao vender o "minuto mais caro do mundo" – na verdade o segundo, atrás do intervalo da final da ChampionsLeague – e esse ano os anunciantes mantiveram a tradição lançar produtos inéditos e campanhas exclusivas, em projetos que envolvem as maiores e mais premiadas agências de publicidade do mundo.

 

Ao lado da molecagem da Taco Bell, o melhor desse ano foi Space Babies, da Kia, que mostra como os bebês da Babylandia chegam ao planeta Terra. São propagandas de alto nível, que dão prestígio. A exposição da marca alcança níveis alarmantes nos Estados Unidos. É o "Hall da fama" das marcas. É a final do campeonato, oras.

 

O cantor coreano Psy salta de dentro de um pistache gigantesco. Um Willian Defoe mefistofélico quer te vender uma Mercedez. Bob Odenkirk, o hilário advogado da série BreakingBad, faz um esquete pra Samsung. A loira do Big BangTheory é uma fada da Toyota que realiza seus desejos. A Budweiser trouxe o Stevie Wonder. Juntinho com o show da Beyonce. Está lá todo mundo.

A sodastream, que se define como "sua máquina de bebidas em casa", é um cilindro de gás que promete quebrar as pernas da Pepsi e da Coca Cola. Ela se diz "amiga do planeta" e garante que, fazendo seu refrigerante em casa, você bebe menos açúcar e economiza garrafas, produzindo menos lixo. Já a Pepsi – que há tempos briga publicamente com a Coca Cola em comerciais que se ironizam – lança a Pepsi Next, com 60 por cento menos açúcar, pra quem acha que a Pepsi Light tem gosto de remédio.

Seria possível imaginar algo parecido no Brasil? Não enquanto o nosso campeonato nacional continuar a ser disputado por pontos corridos, pois a audiência se dilui e na última rodada o torcedor se vê assolado por jogos diferentes que envolvem diferentes interessados, isso sem contar os jogos que não valem nada, entre os times que já não podem beliscar o G4 e nem ser rebaixados. Quem vai querer anunciar nesses jogos?

Esse é um assunto polêmico e antigo, pois desde que a nossa liga nacional passou a disputada por contos corridos, dizem que futebol brasileiro não é mais tão bagunçado, é mais racional, digamos. Ótimo. Afinal, como reza o ditado, "futebol é razão." Parece que, no Brasil, os velhos dormem cedo.

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