Com medo e Regina Duarte, mídia debate seu futuro

Numa surpreendente coincidência, jornais escolhem a atriz Regina Duarte (que, em 2002, tinha medo de Lula) como moderadora de um encontro sobre o futuro da mídia em São Paulo; veículos tradicionais ainda tentam impor modelo de venda de conteúdo na web, enquanto diretor do El Pais, Juan Luis Cebrian, aponta a realidade: “cada dólar gerado na internet destrói dez no papel”

Com medo e Regina Duarte, mídia debate seu futuro
Com medo e Regina Duarte, mídia debate seu futuro (Foto: Edição 247)
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247 – Nunca houve tanta liberdade de expressão, nunca tantos se expressaram na web e nas redes sociais, mas o jornalismo tradicional está em crise, no Brasil e no mundo. Aqui, por exemplo, o grupo Estado de S. Paulo decidiu fechar o Jornal da Tarde, responsável por grandes inovações na imprensa escrita brasileira na década de 70. Lá fora, o El Pais, maior diário espanhol, acaba de anunciar a demissão de um terço da sua força de trabalho.

Para debater o futuro da mídia, São Paulo está sediando o 68º encontro da Sociedade Interamericana de Imprensa. E os jornais estão com medo de um futuro digital que não reserva bons presságios para o papel. Coincidência ou não, a atriz Regina Duarte, a mesma que, em 2002, foi à televisão para declarar seu medo de Lula e seu voto em José Serra, foi escolhida como moderadora do encontro. Outro fato curioso é a Sabesp, uma das principais estatais de São Paulo, ser a grande patrocinadora do encontro, que tem o apoio de grupos de comunicação como Folha, Abril e Estado de S. Paulo.

No primeiro dia, debateu-se a questão da privacidade e do direito à informação. Neste sábado, foram debatidos os temas mais candentes, como a questão do modelo de negócios na era digital. Sérgio D´Avila, da Folha de S. Paulo, defendeu o chamado paywall, o “muro de cobrança poroso”, que permite ao internauta acessar uma quantidade limitada de artigos, antes de começar a pagar. A Folha copiou o modelo do The New York Times e foi seguida, no Brasil, pela Zero Hora gaúcha.

A encruzilhada da mídia tradicional, no entanto, foi apontada pelo presidente do grupo Prisa, que edita o El País, maior jornal espanhol, Juan Luis Cebrián. “A cada dólar que se cria na internet, dez são destruídos no papel”, afirmou. O El País deve demitir 138 dos seus 440 profissionais e, segundo Cebrián, não pode mais manter sua atual estrutura de custos.

O fenômeno apontado por ele, que começa a ocorrer no Brasil, é a fragmentação da audiência e, por consequência, dos investimentos publicitários. Se antes poucas famílias, no Brasil e no mundo, eram capazes de controlar a informação, o futuro parece ser mais democrático. E por isso mesmo há tanto medo em relação ao futuro.

Assista, abaixo, ao vídeo em que Regina Duarte dizia ter medo de Lula e declarava voto em Serra: 

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