Crítica da Globo a Greenwald desmonta-se sozinha

Jornalista Fernando Brito avalia que "a Globo não vai ter sucesso numa possível estratégia que pretenda atrair para si a condição de 'lesada' por Greenwald"; "Não funciona com todos o método da intimidação que é a característica do Império do Jardim Botânico", diz ele, após a publicação da nota da emissora afirmando ter sido procurada pelo jornalista para uma parceria na publicação dos vazamentos

Crítica da Globo a Greenwald desmonta-se sozinha

Por Fernando Brito, do Tijolaço - A Rede Globo mandou nota a alguns blogs que publicaram críticas do editor do The Intercept, Glenn Greewald,  alegando que este teria procurado a emissora com uma proposta de parceria na publicação dos documentos do “Morogate”.

O texto está no DCM.

Em princípio, é direito de qualquer profissional negociar reportagens que apura. Seja ou não verdade, não caracteriza qualquer ato ilegal ou aético de Greenwald e não inalida uma linha do que publicou.

A Globo alega que não aceitou a negociação por não ter sido fornecidos “o conteúdo da tal “bomba” e sua origem, procedimento óbvio. Ou seja: o nome da fonte e o inteiro teor dos documentos.

É direito do repórter – ou da empresa jornalística que possui -preservar sua fonte, até mesmo dentro do jornal em que trabalha.

É o seu compromisso e a garantia de seu informante.

No famoso caso Watergate, a editora-chefe Katharine Graham jamais soube que William Mark Felt, o número 2 do FBI, era o “Deep Throat” que havia dado aos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein os caminhos para desvendar o escândalo que levou Richard Nixon a renunciar à  Presidência dos EUA.

Como Greenwald não concordou, diz a Globo, a parceria não foi em frente. Direito dele e dela.

Isto é, se de fato as coisas se passaram como diz a emissora.

Não há, ainda, comentários de Greenwald sobre o texto, que trarei assim que se tornarem públicos.

Mas a nota da Globo, a pretexto de fazer sua defesa tem um trecho que, por só, demonstra sua  hipocrisia:

“A Globo cobriu a Lava-Jato com correção e objetividade, relatando seus desdobramentos em outras instâncias, abrindo sempre espaço para a defesa dos acusados. “

Desde sempre e mais ainda com a repercussão do escândalo da troca de mensagens entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, qualquer pessoa vê que não é assim.

Agora mesmo a ênfase é no suposto hacher que teria invadido os telefones da dupla, algo que nem é certo ainda que se tenha dado assim. A legalidade na obtenção de informações é questão judicial, não jornalística, do contrário a própria Globo teria de ser mil vezes condenada por publicar, com grande destaque, vazamento de informações que estavam protegidas por sigilo judicial.

A Globo não vai ter sucesso numa possível estratégia que pretenda atrair para si a condição de “lesada” por Greenwald.

Não está tratando com um “foca”, inexperiente, com alguém que vá tremer de medo e ser nervosamente imprudente no trato das informações. É profissional “rodado”, com preparação jurídica e com um Prêmio Pulitzer na bagagem.

Não funciona com todos o método da intimidação que é a característica do Império do Jardim Botânico.

Nota da assessoria de comunicação da Globo em resposta a Fernando Brito enviada ao 247: "Fernando Brito não entendeu. Glenn Greenwald não mencionou o assunto, o tema da reportagem, afirmando apenas que era uma bomba. E apenas isso. Nenhum veículo aceita comprometer-se irrevogavelmente com a publicação do que não sabe do que se trata".

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

247 faz apelo por debate responsável na internet

Conheça a TV 247

Mais de Mídia

Ao vivo na TV 247 Youtube 247