Domenico de Masi: empresa é a instituição mais atrasada no mundo

"A empresa ficou com a mentalidade de Taylor e Ford em quase todo o mundo", diz o sociólogo italiano Domenico de Masi em seu novo livro 'Uma Simples Revolução'; "É totalmente inútil que milhares de pessoas saiam de manhã de casa, andem quilômetros, gastem gasolina, gastem dinheiro, poluam, tenham acidentes mortais para fazer no escritório aquilo que poderiam fazer em casa", diz; em abril, De Masi visitou o ex-presidente Lula, a quem chamou de "líder político mais importante neste momento no mundo"

Domenico de Masi: empresa é a instituição mais atrasada no mundo
Domenico de Masi: empresa é a instituição mais atrasada no mundo (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

247 - O sociólogo italiano Domenico de Masi, autor do clássico livro O Ócio Criativo, esteve no Brasil neste mês para lançar seu novo livro em que propõe uma revolução, sem pólvora, sem sangue.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, De Masi defende que o desemprego é uma construção social. "Podemos ter todos os desempregados ocupados imediatamente. Por exemplo, um alemão trabalha 1.400 horas ao ano, em média. A ocupação é de 79%. O desemprego é de 3,8%. Na Itália trabalhamos 1.800 horas ao ano, veja que loucura! Os italianos trabalham 400 horas a mais que os alemães! E temos 58% de ocupação e 11% de desemprego. Se na Itália trabalhássemos 1.400 horas não existiria nenhum desempregado. O desemprego é uma construção social, não é uma fatalidade. Na Alemanha, com 1.400 horas, se produz 20% a mais que na Itália e, portanto, paga-se salários 20% maiores. E isso [redução das horas trabalhadas] incentiva a produtividade e ela se incentiva a si mesma. Hoje na Itália, finalmente, apresentamos um projeto de lei, do qual também participei, sobre a redução do trabalho para 34 horas semanais. Mas na Alemanha, desde 1 de janeiro deste ano, os metalúrgicos trabalham 28 horas e tiveram um aumento de 4,2% no salário. Isso porque a Alemanha entendeu quando menos se trabalha, mais se produz", diz o sociólogo. 

Domenico de Masi também faz duras críticas ao modelo funcionamento das empresas. "A empresa é a instituição mais atrasada que existe no mundo. São mais evoluídos o exército e a igreja do que a empresa. A empresa ficou com a mentalidade de Taylor e Ford em quase todo o mundo. Por exemplo, o papel da mulher nas empresas é ainda um papel de subordinada, enquanto na sociedade o papel da mulher é muito mais paritário. Não é ainda totalmente paritário, mas tem mais paridade na família e na sociedade do que na empresa. Outro exemplo é o trabalho à distância. A maioria dos trabalhadores é formada por intelectuais. Os trabalhadores físicos não podem ir para casa, porque se trabalham na linha de montagem devem ir à fábrica. Os trabalhadores intelectuais trabalham com a informação e graças à internet se recebe informação em qualquer lugar. Portanto, é totalmente inútil que um jornalista vá à redação para trabalhar. Pode trabalhar de casa. É totalmente inútil que milhares de pessoas saiam de manhã de casa, andem quilômetros, gastem gasolina, gastem dinheiro, poluam, tenham acidentes mortais para fazer no escritório aquilo que poderiam fazer em casa", diz ele. 

Em abril deste ano, Domenico De Masi visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua prisão política, em Curitiba. “Lula está muito bem psicologicamente e intelectualmente”, disse De Masi aos jornalistas e manifestantes que o esperavam na Vigília Lula Livre. “Continua sendo um grandíssimo líder político, o mais importante neste momento no mundo. Mesmo encarcerado, o prestígio de Lula continua em todo o mundo”.

Inscreva-se na TV 247 e assista à fala de Domenico De Masi:

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247