Dos jornalões, Folha é o mais crítico a Moro

Jornal da família Frias, que fará parceria com o Intercept, é o que tem adotado postura mais crítica em relação à fraude processual cometida pelo ex-juiz Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato contra o ex-presidente Lula

(Foto: Marcelo Camargo - ABR)

Do Manchetômetro – O décimo segundo dia de Vaza Jato trouxe uma cobertura enxuta com apenas 15 textos, o segundo menor número de textos ao longo desses dias de cobertura. Nesse dia notamos o aparecimento de um novo tipo de texto, que está relacionado ao escândalo, mas não faz menção explícita aos vazamentos. É também o dia com menor número de críticas ao Intercept: apenas uma.

O Globo

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

O Globo teve apenas três textos sobre o escândalo. O primeiro é de Merval Pereira, que cita a ida de Sérgio Moro ao Senado Federal, a Lava Jato, mas não as acusações contra a atuação de Moro na Operação. Flávia Oliveira também fala sobre o caso em sua coluna, porém citando diretamente a conversa entre Moro e Dallagnol para destacar que essa foi uma ação que permite ao país refletir sobre o pacote legislativo anticrime. Além desses textos, há uma reportagem pontuando a nova acusação do Intercept feita na rádio Bandnews de que a Lava Jato teria mudado a escala de quem participaria da audiência de Lula no caso do triplex do Guarujá após pedido de Sérgio Moro.

Estadão

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

O Estadão mantém tímida sua cobertura, com apenas três textos que citam a Vaza Jato. No jornal paulista temos uma chamada de capa, uma reportagem e um texto de opinião. A chamada alude à coluna de Eliane Cantanhede que discute como os diálogos entre Sérgio Moro e Deltan Dalllagnol reforçam a discussão sobre os excessos de agentes públicos, mais especificamente, recoloca em pauta o projeto de lei contra o abuso de autoridade. Entretanto, como a colunista defende que os ataques à Lava Jato reduzem o apoio da opinião pública e prejudicam o projeto, que pode acabar engavetado novamente. A reportagem, por sua vez, discute a nova acusação feita pelo Intercept.

Folha de S.Paulo

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

Mais uma vez Folha traz a maior cobertura, com nove textos, cinco deles críticos a Sérgio Moro, com destaque para artigos de Reinaldo Azevedo e Nelson Barbosa, que criticam as atitudes do ex-juiz, destacando que em países democráticos Lula estaria solto. Em seu editorial o jornal discute a força política do atual ministro da Justiça, destacando que ela depende das novas revelações e das habilidades de Moro. A Folha do dia 21 contém também duas reportagens sobre o assunto, a primeira fala sobre a nova acusação do Intercept contra Sérgio Moro, a segunda, traz críticas do general Heleno à audiência realizada no Senado, comparando-a à inquisição.

Jornal Nacional

Na edição de quinta-feira (20/6) do Jornal Nacional, uma reportagem (2m52s) afirmou que o The Intercept Brasil havia divulgado, no mesmo dia, um novo trecho de conversa entre Moro e Dallagnol e que “para o Intercept, esse novo trecho mostraria que o então juiz Moro comandou a força-tarefa da Lava Jato em violação das regras éticas e que ele teria se comportado como promotor-chefe e revelaria uma contradição com que Moro disse no Senado”.

O JN reproduziu o trecho em questão na tela. No entanto, essas mensagens não foram divulgadas pela agência de notícias, mas pelo jornalista Reinaldo Azevedo que apresentou, na Rádio BandNews, matéria produzida a partir do material do Intercept. Conforme Azevedo, o trecho mostraria contradição no que Moro disse no Senado no dia anterior, ao recusar negar ter dado orientações à força-tarefa da operação.

O telejornal reproduziu novamente trechos do vídeo da ida de Moro ao Senado no dia anterior dizendo: “não podemos tomar por autênticas essas mensagens. Pelo teor das mensagens, se elas realmente forem autênticas, não tem nada de anormal nessas comunicações. Nenhum momento do texto há alguma solicitação de substituição daquela pessoa. Tanto que ela continua até hoje realizando atos processuais na Lava Jato.”

O JN também reproduziu trecho da nota de Moro especificamente sobre as mensagens divulgadas nesta quinta, dizendo mais uma vez que não reconhece “a sua autenticidade, pois pode ter sido editada ou adulterada pelo grupo criminoso”, que, “mesmo se autêntica, nada tem de ilícita ou antiética”, que “na suposta mensagem não haveria nenhuma contradição com a fala do ministro ao Senado Federal, como especulado”, e “que o texto atribuído ao ministro fala por si, não havendo qualquer solicitação de substituição da procuradora, que continuou participando de audiências nos processos e atuando na Operação Lava Jato”. Ainda segundo o telejornal, a força-tarefa, consultada, disse que não se pronunciaria.

Para além da inconsistência na informação veiculada – que atribui a divulgação do novo trecho e suas conclusões ao Intercept, sem mencionar Reinaldo Azevedo e a Rádio BandNews –, nota-se que o Jornal Nacional continua abordando o evento predominantemente a partir da ótica da defesa da operação.

Conclusão

Conforme podemos perceber cada vez mais a cobertura jornalística da Vaza Jato se afasta da denúncia contra Sérgio Moro e se aproxima de uma linha de defesa a Lava Jato. Quando os textos discutem a conversa entre Moro e os promotores, há sim o desenvolvimento de argumentos críticos em relação à atitude do ex-juiz. Todavia, a tendência dos jornais tem sido focar na defesa da Lava Jato e do combate à corrupção, do que discutir os delitos de Sérgio Moro e da força tarefa da Lava Jato.

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