E você, curte o que no Facebook?

Estudo feito por pesquisadores da Universidade de Braslia (UnB) mostra que uma das principais atividades dos internautas no Facebook curtir; mulheres curtem fotos e textos e homens, pginas

E você, curte o que no Facebook?
E você, curte o que no Facebook?

UnB Agência – O que você faz no Facebook: curte, comenta, compartilha, publica texto, foto, vídeo ou só espia a vida dos outros? Uma pesquisa da UnB feita com 357 usuários mostrou que uma das principais atividades dos internautas é ‘curtir’ textos. Basta um click e, em menos de 5 segundos, você comunica aos seus amigos que gostou de alguma publicação.

O estudo da Faculdade de Educação mostrou também que, quanto mais íntimo for aquele que curte daquele que posta, maior a chance de comentar ou compartilhar o post curtido. Mais da metade dos entrevistados (53%) disse que curte principalmente as publicações de amigos próximos. “O comentário serve para agregar sentido ao 'curtir'. As relações sociais mais distantes têm uma necessidade menor de justificar a ação”, explica o autor da pesquisa Matthias Ammann, mestre em Educação e Comunicação. “Ainda que o mundo das redes sociais não reflita integralmente as relações sociais das pessoas, existe uma tendência de reproduzir os laços externos no ambiente em rede”.

De acordo com as respostas dos entrevistados, curtir tem os mais diferentes significados. Pode ser para tornar público suas preferências, apoiar, concordar, parabenizar ou mesmo se fazer presente na vida de alguém. Serve também para sinalizar que entendeu uma piada ou uma ironia. “O curtir revela as subjetividades dos sujeitos. Ele curte determinada coisa porque lembra da infância ou porque gosta, por exemplo, de meio ambiente”, exemplifica Matthias.

Ele acredita que as redes sociais representam a possibilidade para entender melhor o homem do presente e do futuro. “O que mais me chamou atenção para desenvolver esse trabalho foi a necessidade das pessoas em sinalizar a presença, o acolhimento e o pertencimento a alguma coisa ou lugar. Acredito que o ritmo acelerado dos dias e a dispersão geográfica refletiu-se numa carência expressada por meio das mídias digitais”, afirma Matthias.

O que você curte

A pesquisa mostrou também que as mulheres curtem mais textos e fotos, e os homens vídeos e páginas. Jaqueline Felizola, técnica em enfermagem, fica online cerca de oito horas por dia. “Eu curto e comento o que acho interessante e inteligente. O que eu mais gosto de ver são fotos. Muitas vezes curto uma foto de algum parente distante para mostrar que sinto saudades”, conta. Quando o usuário curte alguma publicação, automaticamente essa atividade é inserida no seu perfil, chamado de linha do tempo.

Marcello Barra, pesquisador do grupo Ciência, Tecnologia e Educação na Contemporaneidade da UnB, comenta que o curtir tem significados que vão além dos descritos no dicionário. “É quase um carinho que poderíamos fazer pessoalmente, mas usamos dessa ferramenta para expressar”, exemplifica. Ele sustenta que o sistema capitalista distancia as pessoas. Ele conta que certa vez estava numa biblioteca e abriu um livro de informática com a seguinte dedicatória: "já que você dá mais atenção ao computador do que a mim, acho que vai gostar deste livro". “Essa dedicatória diz muito sobre como vivemos atualmente. Estamos afastados e temos as redes para nos aproximar”, afirma. O computador, embora seja uma máquina, está mais presente nos nossos dias e é um facilitador das relações.

Silvio Meira, professor de Engenharia de Software do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco, acredita que o Facebook “aproxima quem está longe dos olhos, mas perto do coração”. “90% dos amigos da rede moram no mesmo país. O Facebook nos encurtou caminhos. Vejo quase que em tempo real as fotos de um aniversário de um amigo ou dos filhos que acabaram de nascer. Posso acompanhar aqueles que gosto”, afirma. Segundo Silvio, o brasileiro dedica 5% do seu tempo na internet ao Facebook.

Gustavo Araújo, aluno do 4º semestre de Ciência Política da UnB, conta que acessa o Facebook pelo celular. “A cada meia hora leio as atualizações dos meus amigos. Geralmente leio as páginas que trazem alguma notícia”, conta o estudante. A atividade ‘curtir’ ficou tão popular que páginas fora do Facebook já carregam essa opção. Quando uma pessoa acessa um portal de música, por exemplo, ele curte e essa atividade é publicada automaticamente em seu perfil.

Método

Matthias elaborou um questionário com 24 questões divididas em perfil sócio econômico, uso da internet e do Facebook. Ele enviou para conhecidos, que encaminharam para outras pessoas. Ao total, 357 responderam. A maioria, 71%, foi de mulheres. “É preciso ressaltar que a amostra foi bem restrita, pois atingimos pessoas com alto nível de escolaridade, alta renda familiar e principalmente das cidades de Brasília e São Paulo”, afirma. “Cerca de metade da população brasileira reside nas regiões Norte, Nordeste e Sul e têm baixa escolaridade. Isso representa um déficit amostral”, pondera o pesquisador.

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