Economist: desmatamento na Amazônia pode atingir em breve ponto sem volta

Reportagem da revista britânica aponta que "há preocupação entre cientistas de que o nível de desmatamento esteja próximo do ponto crítico para perda de árvores (entre 20 e 25%), o qual, uma vez ultrapassado, faz com que o desmatamento se retroalimente, transformando muito da bacia Amazônica em uma savana seca conhecida como cerrado"

The Economist / Tradução de Antonio Netto Jr - Desde os anos 70, aproximadamente 800.000 km² dos 4 milhões de km² da floresta Amazônica do Brasil foram perdidos para madeireiras, agricultura, mineração, estradas, represas e outras formas de desenvolvimento – uma área equivalente ao território da Turquia e maior que o estado do Texas. Há preocupação entre cientistas de que o nível de desmatamento esteja próximo do ponto crítico para perda de árvores (entre 20 e 25%), o qual, uma vez ultrapassado, faz com que o processo de desmatamento se retroalimente, transformando muito da bacia Amazônica em uma savana seca conhecida como cerrado. Sob Jair Bolsonaro, o presidente de direita do Brasil, que iniciou seu mandato em janeiro, a Amazônia parece estar se apressando em direção a esse limite.

A taxa de desmatamento desacelerou entre 2004 e 2012, quando o governo fortaleceu suas instituições de proteção ambiental e um Fundo Internacional da Amazônia foi criado para financiar projetos de conservação. Mas a taxa de desmatamento começou a acelerar novamente após o enfraquecimento da legislação ambiental e os cortes orçamentários durante a recessão brasileira de 2014-2016. Entre agosto de 2017 e julho de 2018, o Brasil perdeu 7.900 km² de floresta Amazônica - aproximadamente 1 bilhão de árvores. Os números deste ano provavelmente serão maiores. Dados preliminares de satélite mostram que 920km² foram desmatados em junho, número 88% maior que o do mesmo mês em 2018. Em julho, 2.255km² foram desmatados, um impressionante aumento de 278% se comparado ao mesmo mês do ano anterior.

Ambientalistas culpam a imprudência do Sr. Bolsonaro em relação à Amazônia. É uma “virgem” que deve ser “explorada” pela agricultura, mineração, projetos de infra-estrutura, diz ele. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, demitiu 21 dos 27 chefes do Ibama; ele ainda não substituiu a maioria deles, inviabilizando o cumprimento dos deveres ministeriais. Em resposta à crescente preocupação com o aumento do desmatamento, o Sr. Bolsonaro demitiu o responsável pelo instituto que monitora o desmatamento, chamou os dados de “mentiras” e disse a uma jornalista que aqueles preocupados com o meio ambiente deveriam comer menos e “fazer côco dia sim, dia não”. No dia 10 de agosto, quando a Alemanha anunciou que iria cortar os $35 milhões de Euros ($39.6 milhões de dólares, aproximadamente R$ 160 milhões de reais) do financiamento para projetos de conservação, o Sr. Bolsonaro disse que “o Brasil não precisa disso”.

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