Editorial do Globo: milícias não podem ser intocáveis

"Rio das Pedras, uma das maiores favelas da cidade, serviu de laboratório para a atuação desses grupos paramilitares. Formados inicialmente por servidores ou ex-agentes do Estado, como policiais e bombeiros, eles surgiram sob o pretexto de impedir que o tráfico se instalasse. Balela. O tempo mostrou que os métodos dos milicianos eram tão perversos quanto os dos traficantes", diz editorial do Globo sobre o Escritório do Crime, cujo chefe, Adriano Nóbrega, empregou parentes no gabinete de Flávio Bolsonaro

Editorial do Globo: milícias não podem ser intocáveis
Editorial do Globo: milícias não podem ser intocáveis (Foto: Alerj)

247 – "Rio das Pedras, uma das maiores favelas da cidade, serviu de laboratório para a atuação desses grupos paramilitares. Formados inicialmente por servidores ou ex-agentes do Estado, como policiais e bombeiros, eles surgiram sob o pretexto de impedir que o tráfico se instalasse. Balela. O tempo mostrou que os métodos dos milicianos eram tão perversos quanto os dos traficantes", diz editorial do Globo sobre o Escritório do Crime, cujo chefe, Adriano Nóbrega, empregou parentes no gabinete de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). "Na ausência do Estado, implantaram um poder paralelo, criaram seus próprios "tribunais" e passaram a cobrar por segurança, transporte, gás, TV a cabo, internet etc. Hoje, atuam também na grilagem de áreas públicas e privadas e controlam o mercado de construção nessas regiões."

"Dificuldade adicional no enfrentamento das milícias é o fato de elas, por sua natureza, estarem infiltradas em instituições do Estado, como Câmaras de Vereadores, Assembleia Legislativa, e em órgãos do Executivo. Criminosos disfarçados de cidadãos de bem. Por isso, o combate a essas quadrilhas precisa ser sistemático. E objetivo, como mostrou a última operação. Não se pode mesmo achar que esses bandidos são intocáveis."

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