Em nova provocação a Dilma, Agora SP republica o editorial "Jair Rousseff"

Grupo Folha, da família Frias, republicou nesta segunda-feira no jornal Agora SP o editorial “Jair Rousseff”, em que compara a presidente deposta Dilma Rousseff a Jair Bolsonaro. No sábado, Dilma já havia pedido direito de reposta em função do editorial publicado pela Folha de S.Paulo

Dilma Rousseff
Dilma Rousseff (Foto: Ederson Casartelli | Reprodução)
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247 - Em uma nova provocação, o grupo Folha, da família Frias, republicou nesta segunda-feira (24) o editorial “Jair Rousseff” no jornal Agora SP. O veículo compartilha o mesmo prédio em que funciona a redação da Folha de S. Paulo e é voltado para a periferia da capital paulista. O editorial, que causou uma série de críticas de lideranças progressistas e nas redes sociais, defende a política neoliberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, comparando os gastos públicos do governo Jair Bolsonaro com os feitos pela presidente deposta Dilma Rousseff. Ainda no final de semana, Dilma encaninhou à direção do jornal um pedido de direito de resposta, com base na lei 13.188.  

O texto republicado, porém suprimiu alguns trechos do editorial e outras rases foram alteradas. Um dos trechos retirados afirmava que  “o fracasso da última administração petista deveria bastar para que ensaios de programas redentores de obras públicas e de assistência social, sempre frequentes nas especulações brasilienses, fossem deixados de lado”.

Já o trecho publicado na Folha onde se lia que “Bolsonaro, porém, tem o azar e a sorte de ter chegado ao posto depois da petista Dilma Rousseff, que levou a gastança aos limites da lei e da capacidade do Tesouro Nacional”  foi alterado para uma linguagem mais popular: “Azar porque herdou um governo na pindaíba, sem muitas opções do que fazer”.

A ombusdman da Folha de S. Paulo, Flavia Lima, criticou duramente o editorial ao afirmar que o texto era um “circo de horrores”. Ainda segundo ela, o jornal “abandonou a seriedade” ao fazer a comparação. “Para Dilma, ver seu nome associado a alguém que, entre outras coisas, celebra o torturador Brilhante Ustra e já disse, para voltarmos ao tema central deste texto, que não estupraria uma deputada porque ela não merece, significaria o quê? Circo de horrores”, ressaltou a jornalista. 

Ainda no sábado (22), Dilma encaminhou à direção da Folha de s,. Paulo um pedido de direito de resposta, com base na lei 13.188. 

“A comparação feita pelo texto, desde o título, é falsa e indevida. Assim, em nome da verdade, da pluralidade e do direito ao contraditório, solicito à Folha de S. Paulo a publicação do meu direito de resposta ao seu editorial”, ressalta Dilma no pedido. 

Mais cedo, ela havia divulgado uma nota ressaltando que o erros do jornal e, também, o apoio prestado à ditadura pelo veículo de imprensa. “Foi por avaliar mal o passado que a empresa até hoje não explicou porque permitiu que alguns de seus veículos de distribuição de jornal dessem suporte às forças de repressão durante a ditadura militar, como afirma o relatório da Comissão Nacional da Verdade. Foi por não saber julgar o passado com isenção que cometeu a pusilanimidade de chamar de ‘ditabranda’ um regime que cassou, censurou, fechou o Congresso, suspendeu eleições, expulsou centenas de brasileiros do país, prendeu ilegalmente, torturou e matou opositores”, destaca trecho da nota. 

“Os erros mais graves da Folha, como estes, não são de boa-fé. São deliberados e eticamente indefensáveis. Quero deixar claro que falo, sobretudo, do grupo econômico Folha, e não de jornalistas”, diz Dilma em outro trecho do texto.

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