Fernando Brito: 2019 é o ano em que o Brasil ficou menor

"Trocarmos os grandes debates nacionais por 'tretas'?", questiona o jornalista Fernando Brito, do Tijolaço. "Discutirmos se a Terra é plana? Comemorarmos, como conta hoje o El País, a redução do desemprego feita com 905 mil pessoas, em 2019, terem se tornado entregadores, de moto ou de bicicleta?", continua

(Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)
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Por Fernando Brito, do Tijolaço - Então era isso, a modernidade, aquela que, desde Fernando Collor, dizem faltar em nosso pais?

Trocarmos os grandes debates nacionais por “tretas”? Discutirmos se a Terra é plana? Comemorarmos, como conta hoje o El País, a redução do desemprego feita com 905 mil pessoas, em 2019, terem se tornado entregadores, de moto ou de bicicleta?

É isso, é normal que, num país agoniado pela pobreza, onde os mais pobres cozinham o que têm na lenha, porque o botijão de gás ficou inacessível, as discussões de final do ano sejam a herança do Gugu e alguma outra bobagem de “celebridade”?

Em que “ter religião” é atirar coquetéis molotov em quem tem outra ou em quem não a têm?

Em que se comemora o emprego (?) em ‘bicos’ como faz-se hoje, em O Globo, com o aumento dos contratados “intermitentes”?

Ou será que ‘modernidade” em segurança e justiça seja armar-se mais, matar mais, prender mais e surrar mais?

Note que nem entrei no fato de termos um presidente idiota, grotesco, estúpido, alguém que não pode sequer, ao menos, comportar-se.

Nem no fato de ele empoderar, como príncipes, uma ninhada de energúmenos e boçais.

Isto sempre esteve aí, nas beiradas da sociedade civilizada e quem os colocou neste lugar foi gente muito bem situada, de bons modos e grandes apetites.

Este ano, como os mais recentes, fazem lembrar os selvagens que encolhem cabeças.

Os “cobradores de autocrítica” não praticam o que pregam, porque menos grave estes personagens que o embrutecimento geral a que levaram o Brasil. Reclamam dos exageros do imbecil presidente, mas não do processo que o construiu.

No fundo, acham que isso é um mal necessário para destruir dignidades, sonhos, país e, portanto, adequar o país a uma modernidade onde a única liberdade sagrada é a do dinheiro, seu verdadeiro Deus.

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