Fernando Brito: agenda de Biden deve recusar o ódio e o fundamentalismo

Joe Biden "teve, é certo, o apoio de grandes grupos econômicos", diz Fernando Brito, do Tijolaço. "Mas é evidente que foi eleito pela juventude, pelos negros, pelas vanguardas urbanas, pelos que recusaram o ódio e o fundamentalismo como forma de governo, de um país e do mundo. Será, no governo, bem sucedido se colocar esta circunstância à frente de si mesmo", avalia

Joe Biden
Joe Biden (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)
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Por Fernando Brito, do Tijolaço - “Eu sou eu e minha circunstância, e se não salvo a ela, não me salvo a mim”, diz a frase famosa do filósofo espanhol Ortega Y Gasset e ela corre o risco de servir para interpretar a situação de Joe Biden, agora eleito para a presidência dos Estados Unidos.

Binden é mais um dos políticos clássicos de Washington, talvez não tão diferente daqueles que se retrataram na famosa série House of Cards.

Mas ele vence esta eleição cavalgando não o seu prestígio como político de carreira, mas a rejeição a Donald Trump nas áreas urbanas dos Estados Unidos.

Nas 50 maiores cidades norte-americanas. em apenas cinco Donald Trump teve a maioria dos votos.

Completando 78 anos antes da posse, Biden tem outra originalidade: é um dos raros presidentes norte-americano que não passa a pensar em sua reeleição no dia seguinte a sua primeira vitória, e a finitude humana é certamente algo presente em seu pensamento, depois das perdas precoces da sua primeira mulher e de filhos.

Pode, portanto, correr o risco da ousadia e projetar a política além de si mesmo.

Pode haver dúvidas de que terá esta capacidade, mas não há de que terá, se quiser, esta oportunidade.

E Joe Biden, depois de seus embates e posteriores alianças com Barack Obama e sua vice, Kamala Harris, parece político atento ao que lhe é politicamente conveniente.

Isso é mais importante que a natureza pessoal do candidato recém-sagrado presidente da (ainda) maior potência do mundo.

Leia-se potência econômica e militar que ainda, e mal e mal, segue mantendo. Mas não mais liderança política mundial, a que esteve servida de bandeja para Barack Obama e que ele deixou escapar de olho na reeleição e negligenciando o antibelicismo que, tanto como a pele negra, o transformaram numa espécie de ‘herói’ mundial.

O até agora coadjuvante da política norte-americana teve, até agora, a glória do triunfo alcançado por inimigo do Rei.

Por mais que ele queira alcançar aprovação entre os republicanos, precisa demonstrar que não será mais do mesmo, embora fugindo de colocar Trump e seus apoiadores como “inimigos”.

E, sim, suas políticas negacionistas e isolacionistas.

E dois temas – pandemia e multilateralismo – estão presentes neste início do mandato informal de Biden: amanhã, depois de formar um conselho de médicos e cientistas para conduzir o combate à Covid 19, fará um pronunciamento público para anunciar ações antipandemia e confirmar o retorno dos Estados Unidos ao acordo climático de Paris.

O novo presidente dos EUA teve, é certo, o apoio de grandes grupos econômicos. Mas é evidente que foi eleito pela juventude, pelos negros, pelas vanguardas urbanas, pelos que recusaram o ódio e o fundamentalismo como forma de governo, de um país e do mundo.

Será, no governo, bem sucedido se colocar esta circunstância à frente de si mesmo.

“Se não salvo a ela, não me salvo a mim”.

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