Fernando Brito: Deltan é um impasse. Deve ser afastado, mas não pode ser

"Seu próprio afastamento do processo que envolvia os donos da sua contratante é mostra de que fazia a tal 'Força Tarefa' como uma quadrilha, onde se distribuíam os casos de maneira a acobertar as promiscuidades havidas", diz o jornalista Fernando Brito, do Tijolaço, após a Neoway, delatada na Lava Jato, contratar Deltan Dallagnol por R$ 33 mil para uma palestra

(Foto: Marcelo Camargo - ABR)

Por Fernando Brito, do Tijolaço - O final de semana promete ser movimentado e começou, já nesta sexta, com a contratação de Deltan Dallagnol, por R$ 33 mil, para uma fazer uma palestra – vê-se pelas mensagens que um evento de propaganda de seus produtos – para uma empresa citada nas delações da Lava Jato.

O episódio, como a “leva” de diálogos anteriores também publicada pela Folha, expõe a gula do promotor em lucrar com a notoriedade alcançada nos processos da Lava Jato e o abandono de qualquer vestígio de moralidade no exercício do cargo.

Virou garoto-propaganda (não só pela palestra paga, mas por sua utilização em vídeo promocional da empresa, veja aqui), numa descarada exploração pecuniária do prestigio alcançado entre os que o viam como símbolo do combate à corrupção.

Dá para qualquer um entender como tinha transformado os processos em fonte de renda pessoal e, portanto, a necessidade de condenar para que isso gerasse mais e sempre lucro.

Seu próprio afastamento do processo que envolvia os donos da sua contratante é mostra de que fazia a tal “Força Tarefa” como uma quadrilha, onde se distribuíam os casos de maneira a acobertar as promiscuidades havidas.

Os mais renitentes ainda vão insistir – por um breve tempo, pois mais virá – que não se trata de um problema legal, mas meramente ético.

É inútil, porque Deltan e sua trupe de procuradores tornaram-se uma fonte de desmoralização para todo o sistema de Justiça.

O raciocinio popular é bem mais simples, sem filigranas e verdadeiro: o promotor levou dinheiro das empresas.

A reação do desembargador Jorge Antonio Maurique, do TRF-4 e ex-presidente da Associação de Juízes Federais é um sinal do clima que se criou no Judiciário, ao dizer que “impressiona que não haja indignação no mundo jurídico com o conteúdo, e sim com a forma” da revelação dos diálogos é sinal de que, si, começa a se expressar uma crescente indignação.

Tornou-se imperioso o afastamento e Deltan Dallagnol, que só não aconteceu ainda pelas consequências que trará para a Lava Jato mas, sobretudo, pela reação da matilha morobolsonarista barulhenta.

Os acontecimentos se precipitarão neste final de mês.

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