Fernando Brito questiona: é viável transformar o Brasil num país ridículo?

Qualquer pensamento minimamente lúcido perceberá que esta é uma marcha contra o tempo e que, portanto, não pode avançar permanentemente contra ele, diz o editor do Tijolaço

Bolsonaro diz que ouve qualquer ministro, 'até a Damares'
Bolsonaro diz que ouve qualquer ministro, 'até a Damares'
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Por Fernando Brito, editor do Tijolaço – É viável transformar o Brasil num país ridículo, na contramão do mundo, onde se exerce o poder a partir de um clã familiar, onde o moralismo (inclusive o sexual) se impõe como política de governo, onde situação econômico-social seja um individualíssimo “salve-se enquanto puder” e, como é visível, regresse a um estágio colonial, sem nenhuma pretensão ao desenvolvimento próprio?

Qualquer pensamento minimamente lúcido perceberá que esta é uma marcha contra o tempo e que, portanto, não pode avançar permanentemente contra ele.

A formação de uma crosta fanática e violenta na sociedade não tem a capacidade de oferecer soluções ao país. 

Nem mesmo um surto de reativação da economia, pela conjuntura mundial, parece, a esta altura, algo provável.

Sobra, a ela, um discurso e prática autoritários, que se espalha pelas instituições da República.

A demonização dos governos de esquerda – que, aliás, coincidiu com a adoção de políticas contracionistas como desde então temos – é, a rigor, ainda o único programa que a une e mobiliza.

Isso tem validade e ela está vencendo, a cada dia.

É duro suportar isso, porque se faz à custa de queimar gente, de juncar as calçadas de miseráveis, em voltar às cenas de crianças brotando como heras entre os carros nos sinais.

Os portugueses, na era das grandes navegações, chamavam de “a volta do mar” a rota que os afastava do litoral africano para escapar à corrente de Benguela, que, afinal, os trouxe até o Brasil.

Por vezes, um país afastar-se de seu destino é o caminho para chegar a ele.

O conhecimento liberta. Saiba mais

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247