Gaspari: morte de Cancellier é um desencanto

Para o colunista Elio Gaspari, do jornal Folha de São Paulo, a morte do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, é um desencanto para o Brasil; em seu texto, o colunista critica o constrangimento ao qual o reitor foi submetido e diz que os procuradores envolvidos na Operação Ouvidos Moucos agora tem que provar que toda a perseguição a qual Cancellier foi submetido fazia algum sentido; para Gaspari, a patrulha da polícia e do Ministério Público "pensa mais no espetáculo da publicidade do que nos direitos dos brasileiros"

reitor Cancellier
reitor Cancellier (Foto: Charles Nisz)

247 - Em sua coluna, o jornalista Élio Gaspari comenta o suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina Luiz Carlos Cancellier, e diz que a morte do reitor da UFSC  é um desencanto para o Brasil. Gaspari critica o constrangimento ao qual o reitor foi submetido e diz que os procuradores envolvidos na Operação Ouvidos Moucos agora tem que provar que toda a perseguição a qual Cancellier foi submetido fazia algum sentido.

"A morte do professor jogou nas costas dos cidadãos que o acusaram, investigaram e mandaram para a cadeia a obrigação de mostrar que fazia sentido submetê-lo ao constrangimento. Se a chamada "Operação Ouvidos Moucos" acabar em pizza, vai-se estimular a impunidade das redes de malfeitorias encravadas em dezenas de programas de bolsas de estudo do país", diz Gaspari.

O colunista também refuta as acusações contra Cancellier: "Chegou-se a dizer que a operação policial na qual o professor foi preso investigava o desvio de R$ 80 milhões de um programa de educação a distância. Mentira. R$ 80 milhões foi o valor total do programa. As maracutaias não aconteceram durante a gestão de Cancellier. Havia trapaças no pedaço, envolvendo servidores e empresários, mas o reitor nunca foi acusado de ter desviado um só tostão".

Para Gaspari, "as patrulhas da polícia e do Ministério Público devem pensar pelo menos uma vez antes de pedir a prisão um cidadão. Isso porque abundam os sinais de que se pensa mais no espetáculo da publicidade do que nos direitos dos brasileiros. Era realmente necessário prender Cancellier? Guimarães Rosa ensinou: "As pessoas não morrem, ficam encantadas". O reitor Cancellier tornou-se um desencanto para o Brasil da Lava Jato".

Confira a íntegra da coluna de Gáspari aqui

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