Globo e a Copa: uma mão lucra, a outra apedreja

Capa da revista Época deste fim de semana, sobre o "risco-Copa", reflete a face política das Organizações Globo; aos irmãos Marinho, quanto mais protestos, melhor, pois maior será a chance de promover uma mudança no Palácio do Planalto; empresarialmente, no entanto, o jogo da Globo é outro; dona dos direitos de transmissão do Mundial, a emissora viverá em 2014 o melhor ano de sua história graças ao Mundial; isso é fair play?

www.brasil247.com - Capa da revista Época deste fim de semana, sobre o "risco-Copa", reflete a face política das Organizações Globo; aos irmãos Marinho, quanto mais protestos, melhor, pois maior será a chance de promover uma mudança no Palácio do Planalto; empresarialmente, no entanto, o jogo da Globo é outro; dona dos direitos de transmissão do Mundial, a emissora viverá em 2014 o melhor ano de sua história graças ao Mundial; isso é fair play?
Capa da revista Época deste fim de semana, sobre o "risco-Copa", reflete a face política das Organizações Globo; aos irmãos Marinho, quanto mais protestos, melhor, pois maior será a chance de promover uma mudança no Palácio do Planalto; empresarialmente, no entanto, o jogo da Globo é outro; dona dos direitos de transmissão do Mundial, a emissora viverá em 2014 o melhor ano de sua história graças ao Mundial; isso é fair play? (Foto: Sheila Lopes)


247 - Uma nota publicada pela coluna Radar, deste fim de semana, informa que a Globo, dos irmãos Marinho, viveu, em 2013, o melhor ano de sua história. O faturamento alcançou R$ 14,4 bilhões, com crescimento de 9,2% sobre o ano passado. 2014 será ainda melhor e o motivo é um só: a Copa do Mundo, cujos direitos de transmissão para mais de 200 países pertencem à Globo.

Isso significa que, do ponto de vista empresarial, nenhum grupo econômico tem tanto interesse no sucesso da Copa do Mundo de 2014 como a própria Globo. Portanto, deveria ser a maior interessada em lutar para que o Mundial transcorresse num clima de paz e normalidade. 

No entanto, como as cotas de patrocínio já foram vendidas, os lucros já estão garantidos. E a capa da revista Época deste fim de semana revela que, agora, é a hora de mostrar a outra face da Globo, a face política.

Neste sentido, a Copa é uma espécie de bomba-relógio prestes a explodir. E, como todos sabem, quantos mais protestos, maiores as chances da oposição em 2014.

Leia, abaixo, um trecho da reportagem "O risco-Copa", da revista Época:

O risco Copa

Confrontos em protestos, obras pela metade e custos que assustam turistas. O Mundial de 2014 enfrenta ameaças graves – e exige um esforço final que garanta uma festa cativante e segura

LEOPOLDO MATEUS, RAPHAEL GOMIDE, RODRIGO TURRER E VINICIUS GORCZESKI, COM LEANDRO LOYOLA, FLÁVIA TAVARES E ALINE IMERCIO

O suíço Joseph Blatter, presidente da Fifa, estava desconfiado desde o início. No dia 30 de outubro de 2007, ao anunciar o Brasil como sede da Copa de 2014, ele disse: “O Comitê Executivo decidiu, unanimamente, dar a responsabilidade, não apenas o direito, mas a responsabilidade de organizar a Copa de 2014 ao Brasil”. Responsabilidade. A palavra nunca aparecera em anúncios anteriores. “A Copa do Mundo de 2010 será organizada na África do Sul”, disse Blatter ao abrir o envelope em maio de 2004. “O vencedor é a Alemanha”, afirmou, em julho de 2000. Para 2014, não houve disputa. A Fifa criara um rodízio entre continentes, hoje abandonado, e era a vez da América do Sul. Como único candidato, o Brasil recebeu a Copa com pouco esforço – e Blatter quis dizer, para o mundo ouvir, que os brasileiros tinham obrigação de realizar um bom trabalho. Semanas atrás, ele afirmou: “O Brasil é o país com mais atrasos desde que estou na Fifa”.

A impaciência parece justificada. Blatter lembrou que o Brasil foi o único a ter sete anos para organizar a Copa do Mundo. A Alemanha e a África do Sul tiveram seis. A Fifa também não queria uma Copa tão complexa como a que o Brasil decidiu organizar. Preferia um torneio com dez cidades sedes, como fez a África do Sul. Em 1994, os Estados Unidos fizeram sua Copa em nove cidades. O governo brasileiro insistiu em realizar um Mundial com 12 sedes – mesmo número da Alemanha em 2006 –, com logística mais complexa e gastos mais vultosos. Nos últimos anos, o custo do Mundial subiu de forma escandalosa. A previsão inicial de gastos era de R$ 17 bilhões. Em junho último, o Grupo Executivo da Copa do Mundo (Gecopa) atualizou o total para R$ 28 bilhões e anteviu um acréscimo de ao menos R$ 5 bilhões até a bola rolar – um total de R$ 33 bilhões. Dessa quantia, a União será responsável por 85,5%, e o setor privado por 14,5% – cerca de R$ 4,7 bilhões. Em 2007, em Zurique, o então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmara: “Tudo será bancado pela iniciativa privada”.

A apenas quatro meses do início do Mundial, as cidades brasileiras deveriam estar coloridas com as cores do Mundial. Banners, bandeiras, Brazucas e Fulecos gigantes deveriam já alimentar um clima festivo no país. Em vez disso, o Brasil segue tomado pela dúvida sobre sua capacidade de organizar a Copa de forma satisfatória. Na semana passada, as inquietações foram estampadas na capa da tradicional revista francesa France Football, com a manchete “Medo sobre o Mundial”. Para a publicação, a Copa tornou-se uma “fonte de angústia”. A presidente Dilma Rousseff repete que o Brasil fará “a Copa das Copas”. Apesar das dificuldades, isso ainda é possível. Poucos países desejaram tanto receber o Mundial de futebol quanto o Brasil, e os ingredientes necessários para uma competição profissional, cativante e histórica continuam presentes. Para realizá-la, será preciso superar as várias ameaças e desafios que cresceram nos últimos anos. ÉPOCA relaciona na reportagem de capa desta semana os principais riscos.



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