Grupos bolsonaristas podem desencadear violência, diz Janine

Em entrevista ao Nexo Jornal, o filósofo Renato Janine Ribeiro afirma que grupos mais extremistas de apoio a Jair Bolsonaro podem desencadear uma onda de ataques; ele diz: "no próprio caso da USP, uma página do Facebook teve mais de 2.000 confirmações no domingo (28), no sentido de fazer um ataque à Faculdade de Filosofia que, ao tudo indica, a ação do reitor e da diretora da faculdade impediram que ocorresse. Por outro lado, é bom notar que nos dias anteriores e mesmo no dia da eleição teve muito pouca gente nas ruas com propaganda de qualquer um dos candidatos, camisetas, adesivos etc, ao contrário de eleições anteriores"

Grupos bolsonaristas podem desencadear violência, diz Janine
Grupos bolsonaristas podem desencadear violência, diz Janine (Foto: Elza Fiuza /Agência Brasil)

247 - O filósofo Renato Janine Ribeiro afirma que grupos mais extremistas de apoio a Jair Bolsonaro podem desencadear uma onda de ataques. Ele diz: "no próprio caso da USP, uma página do Facebook teve mais de 2.000 confirmações no domingo (28), no sentido de fazer um ataque à Faculdade de Filosofia que, ao tudo indica, a ação do reitor e da diretora da faculdade impediram que ocorresse. Por outro lado, é bom notar que nos dias anteriores e mesmo no dia da eleição teve muito pouca gente nas ruas com propaganda de qualquer um dos candidatos, camisetas, adesivos etc, ao contrário de eleições anteriores".

Em entrevista ao Nexo Jornal, o ex-ministro da educação destacou: "na verdade, eu considero que, apesar da votação grande que Bolsonaro teve, já no primeiro turno, não existe um entusiasmo social tão grande a ponto de significar uma caça às bruxas generalizada. Me parece mais possível que grupos pequenos, aguerridos, se sentindo autorizados a atacar, participem disso. Mas eu não creio que isso constitua um clima generalizado na sociedade de ódio ao que eles chamam de esquerda".


Sobre o atual quadro social provocado por uma campanha atípica no que diz respeito à violência, ele diz que "há pessoas fazendo várias coisas que não são permitidas. Há pessoas que estão fazendo uso da violência e é provável que tenhamos excessos desse tipo, mas não sabemos se vai perdurar ou não. Isso depende da atuação de outros órgãos. As instâncias superiores do Judiciário, na última semana, colocaram limite na proibição de discussões de matéria política nas universidades. Resta ver então se o Judiciário vai colocar um obstáculo ou não. Os dois poderes eleitos, o Executivo e o Legislativo, foram maciçamente tomados pelo grupo de Bolsonaro, pelo grupo mais conservador do Direito. É curioso porque o Judiciário foi, de certa forma, o poder que sobreviveu mais tempo ao “harakiri” efetuado nos últimos anos. Depois que o Executivo se liquefez nos últimos anos, em parte com Dilma Rousseff e Michel Temer, e o Legislativo também, com Eduardo Cunha, o Judiciário assumiu um protagonismo, seja pelo Supremo, seja pelo juiz Sergio Moro. É difícil saber agora se o Judiciário vai retomar esse protagonismo ou se vai ficar silencioso frente a essa situação".


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