Guardian destaca afastamento de Moro

"O ministro de Bolsonaro que encarcerou Lula sai de licença depois de vazamentos e gera dúvidas sobre imparcialidade", diz o jornal inglês sobre o afastamento de Sérgio Moro do cargo

247 - O jornal The Guardian, o mais importante da Inglaterra, destacou nessa segunda-feira, 8, o afastamento do ministro da Justiça, Sergio Moro, do cargo.

"O ministério informou que Moro estará de férias, mas analistas especulam que o emprego de Moro foi ameaçado após vazamentos de mensagens de celulares mostrarem que, como juiz, ele instruiu os promotores na investigação que levou à prisão de poderosos empresários e políticos, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva", diz o correspondente Dom Philips na reportagem. 

Leia, abaixo, a reportagem na íntegra, traduzida para o 247 por Carolina Ferreira:

O ministro de Bolsonaro que encarcerou Lula sai de licença depois de vazamentos e gera dúvidas sobre imparcialidade

Dom Phillips, no Rio de Janeiro

8 de julho de 2019

O ministro da Justiça do Brasil, Sérgio Moro, foi autorizado a tirar uma licença depois de uma série de vazamentos prejudiciais que geraram sérias dúvidas sobre sua imparcialidade como juiz em um escândalo generalizado de corrupção.

Jair Bolsonaro, o presidente de extrema-direita do Brasil, aprovou a licença, de 15 a 19 de julho, para Moro "lidar com assuntos pessoais", segundo um documento oficial do governo publicado na segunda-feira.

O ministério informou que Moro estará de férias, mas analistas especulam que o emprego de Moro foi ameaçado após vazamentos de mensagens de celulares mostrarem que, como juiz, ele instruiu os promotores na investigação que levou à prisão de poderosos empresários e políticos, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores.

Os vazamentos, publicados a partir de 9 de junho pelo Intercept com alguns dos principais meios de comunicação do Brasil, desencadearam uma tempestade política.

"Não é comum os ministros tirarem licença", disse Jairo Nicolau, professor de Ciências Políticas da Fundação Getúlio Vargas no Rio, uma escola de administração. "A situação de Moro está ficando cada vez mais difícil".

Moro se tornou um herói nacional por seu papel na Operação Lava Jato. Em julho de 2017, ele prendeu Lula, que foi impedido de concorrer nas eleições presidenciais do ano passado.

Logo depois que Bolsonaro conquistou a presidência, Moro aceitou o cargo de Ministro da Justiça. Ele tem sustentado que as mensagens não apresentam nenhum delito, descrevendo-as como um "ataque criminoso" e sugerindo que elas foram manipuladas.

Durante um interrogatório no Congresso, Moro se recusou a comentar sobre um relatório que a Polícia Federal pediu a uma unidade que investiga lavagem de dinheiro no Ministério da Economia para investigar o jornalista americano Glenn Greenwald, co-fundador do Intercept.

Na segunda-feira, o Tribunal de Contas da União disse que daria à unidade 24 horas para explicar a suposta investigação que chamou de "perseguição e abuso de poder, para intimidar o jornalista" e um desperdício de dinheiro público.

Bolsonaro havia prometido levar Moro ao campo na final da Copa América no domingo para testar sua popularidade.

Mas, apesar de o Brasil ter vencido a final, vencendo o Peru por 3 a 1, Moro, da arquibancada, assistiu Bolsonaro descer ao gramado para entregar as medalhas sem ele, enfrentando altas vaias bem como aplausos.

Uma pesquisa do Datafolha publicada na segunda-feira mostrou que 33% dos entrevistados achavam que Bolsonaro estava fazendo um trabalho “ótimo ou bom”, e 33% “ruim ou péssimo”, fazendo dele o presidente menos popular desde 1990.

"Moro sempre foi visto como intocável", disse Rafael Cortez, cientista político e sócio da consultoria Tendências, de São Paulo. Agora, Cortez disse, ele e os promotores da Lava Jato “se tornaram reféns dos próximos vazamentos”.

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