Guedes: antes de Bolsonaro, o Brasil era democracia de uma perna só

O ministro da Economia, Paulo Guedes afirmou que antes de Jair Bolsonaro chegar ao poder o Brasil "era uma democracia de uma perna só"; defensor do neoliberalismo, Guedes disse ao jornal Financial Times, que "certamente, Rússia e Brasil tiveram glasnost antes da perestroika", sistemas de abertura e liberalização política e econômica implantadas na Rússia em meados da década de 1980, e que "as pessoas da esquerda têm cabeças 'fracas' e bom coração", enquanto "as pessoas da direita têm cabeças fortes e... corações não tão bons"

Guedes: antes de Bolsonaro, o Brasil era democracia de uma perna só
Guedes: antes de Bolsonaro, o Brasil era democracia de uma perna só

247 - O ministro da Economia, Paulo Guedes afirmou que antes de Jair Bolsonaro chegar ao poder o Brasil "era uma democracia de uma perna só". Defensor do neoliberalismo em sua plenitude, Guedes disse ao jornal Financial Times, que "certamente, Rússia e Brasil tiveram glasnost antes da perestroika", políticas de abertura e liberalização política e econômica, implantadas na Rússia em meados da década de 1980. "Você precisa ter os dois. Então você tem crescimento e uma classe média que traz estabilidade", pregou.

Na entrevista, Guedes defendeu o endurecimento do governo Boslonaro em alguns temas alegando que "as pessoas da esquerda têm cabeças 'fracas' e bom coração", enquanto "as pessoas da direita têm cabeças fortes e... corações não tão bons". "Se Bolsonaro é duro em suas maneiras, é apenas uma aparência. Ele será duro com os bandidos", ressaltou na entrevista. "A ideologia é o verdadeiro inimigo", disse ele. "Eu sou apenas um cientista fazendo o meu trabalho", completou em seguida.

Ao FT, Guedes observou que "o Brasil é a oitava maior economia do mundo, mas o 130º em grau de abertura, perto do Sudão. Ele também está classificado em 128º em termos de facilidade de fazer negócios". A meta, segundo ele, é reduzir a colocação do país nestes pela metade em apenas quatro anos por meio da redução de gastos, revisão do código tributário "bizantino" vigente no país; redução da burocracia e pela privatização de ativos estatais.

Guedes, um dos famosos Chicago Boys, - como ficaram conhecidos os economistas que adotaram a linha de pensamento neoliberal disseminada pela Universidade de Chicago – defendeu o Chile como um modelo a ser seguido pelo Brasil. "Eu vi o Chile mais pobre que Cuba e a Venezuela hoje, e os garotos de Chicago consertaram isso. O Chile é agora como a Suíça ", afirmou.

Apesar da defesa da atuação dos "chicago boys", a política neoliberal implantada no Chile resultou em uma taxa de desemprego que alcançou 21% da população em 1983. "Isso é besteira ", disse. "O desemprego já estava lá. Foi apenas escondido dentro de uma economia destruída", emendou. Para o FT, porém, a visão de Guedes é "contenciosa".

Leia a íntegra da entrevista.

 

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