Ishii, o 'japonês da Federal', relata violações ao jornalismo complacente

Entre uma série interminável de clichês auto elogiosos e a complacência do jornalismo corporativo, Newton Ishii, o "japonês da Federal" se lança como candidato a sub celebridade no submundo político do pós golpe; ele concedeu entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que nem tentou disfarçar seu propósito em divulgar o livro “O Carcereiro — o Japonês da Federal e os Presos da Lava Jato”, biografia do ex-policial

Newton Ishii, conhecido como japonês da federal
Newton Ishii, conhecido como japonês da federal (Foto: Gustavo Conde)

247 - Entre uma série interminável de clichês auto elogiosos e a complacência do jornalismo corporativo, Newton Ishii, o "japonês da Federal" se lança como candidato a sub celebridade no submundo político do pós golpe. Ele concedeu uma espécie de "entrevista de trabalho" às paginas da coluna social política do jornal Folha de S. Paulo.

O jornal nem disfarçou seu propósito em divulgar o livro “O Carcereiro — o Japonês da Federal e os Presos da Lava Jato”, biografia do ex-policial. O jornal frisa que ela 'estará disponível nas livrarias a partir do dia 7 de julho'. 

A narrativa da matéria é precária e os pressupostos beiram o grotesco, como o fato de Ishii chamar Marcelo Odebrecht e Antonio Palocci de "presos famosos" e do próprio entrevistado se lamentar que não "tinha entendido" quando se tornou "famoso". A sequência de lugares-comuns é imensa. Há de narrativas das rotinas dos presos - em clara violação de protocolos técnicos de ofício - à violência do assédio moral praticado a presos, como quando Ishii relata que mentiu à esposa de Palocci para lhe pregar uma "peça". 

Não bastasse essa coleção de abusos, Ishii revela a falta de critérios e cuidados com que a Polícia Federal vem conduzindo as prisões da operação Lava Jato, como o fato de ele "ter deixado a porta da cela aberta" só para "testar" os presos. 
 
A série de violações humanitárias que Ishii narra sob o olhar passivo e fetichista do jornal só pode encontrar uma palavra como definidora para o jornalismo  praticado no país: escárnio. Ishii 'trollava' os presos com piadas de péssimo gosto, caracterizando tortura psicológica, em violação escancarada aos códigos éticos de conduta estabelecidos em acordos internacionais para o protocolo penitenciário. 

Ishii revela, contudo, a avacalhação que toma conta dos procedimentos relativos à operação Lava Jato. Tudo é no improviso, tudo é no 'jeitinho'. É o mote que ele parece dar ao seu livro através de seu ghostwriter - o jornalista Luís Humberto Carrijo - com o verniz da "humanidade", um caso claro de oportunismo editorial aliado às fragilidades de um segmento leitor anestesiado pelo golpe. 

Ishii se aposentou e se filiou ao Partido Patriota e, atualmente, é presidente do partido no estado do Paraná. Diz que não será candidato este ano, mas que tem palestras agendadas para pré-candidatos. Certamente, com a ajuda inestimável da imprensa corporativa.
 
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