Janio: com desfaçatez, Temer dedicou dia a comprar apoio parlamentar

"A quantidade de compras de apoio por Michel Temer, bem ilustrada na recepção a mais de 50 deputados em apenas 12 horas da última terça-feira, suscita uma questão importante por si mesma, não para o alheamento vigente no Brasil: que legitimidade terá uma recusa da Câmara a processo criminal contra Temer, se obtida por mais práticas inescrupulosas do denunciado?", escreve o colunista Janio de Freitas, que destaca não só a quantidade, mas também "a desfaçatez com que todo um dia 'presidencial' é dedicado a tal finalidade. No palácio de governo do país em crise"

Janio de Freitas
Janio de Freitas (Foto: Giuliana Miranda)

247 - Em sua coluna nesta quinta, Janio de Freitas critica duramente a maratona de encontros parlamentares de Michel Temer, em busca de apoio para barrar a segunda denúncia da PGR na Câmara.

"A quantidade de compras de apoio por Michel Temer, bem ilustrada na recepção a mais de 50 deputados em apenas 12 horas da última terça-feira, suscita uma questão importante por si mesma, não para o alheamento vigente no Brasil: que legitimidade terá uma recusa da Câmara a processo criminal contra Temer, se obtida por mais práticas inescrupulosas do denunciado?

A relação de deputados recebidos por Temer naquele período, que a repórter Letícia Fernandes cuidou de esmiuçar, não foi o começo nem o fim dos negócios de apoio. Seu relevo não está só na quantidade, mas também, ou sobretudo, na sem-cerimônia, na desfaçatez com que todo um dia "presidencial" é dedicado a tal finalidade. No palácio de governo do país em crise.

Na imensidão das instituições desta louvada democracia não cabe nem espanto com a ausência até da discrição comum às ordinarices. Como espantar-se, então, com a continuidade das tramoias, enquanto dizem que o país aderiu à moralidade? Da própria Presidência vem a constatação, feita por outra repórter, Mariana Carneiro, de que em torno de Temer e na Câmara beneficiam-se de uma medida provisória pessoas que também a elaboraram. É aquela que concede maiores prazos e melhores condições, sob o nome de Refis, a dívidas na Receita Federal.

Os comprometimentos de Michel Temer e Aécio Neves não vêm de delações em busca de liberdade. Ambos foram entregues pelas próprias vozes, gravados em alguns dos seus momentos de autenticidade. Apesar disso, o pressentimento de que as compras de votos vão se comprovar como bons negócios, favorecendo Temer contra a segunda denúncia, precisam consolar-se com a ideia de que o processo apenas aguardará o fim do mandato. É a alternativa oferecida na legislação."

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