Jornalistas Livres: Judiciário declara guerra ao povo brasileiro

O coletivo Jornalistas Livres fez um duro editorial em que rechaça a condenação em segunda instância do ex-presidente Lula; "A elite escravocrata do país, incluindo seus parceiros do Norte e Nordeste, a Casa Grande, não tolera a insubordinação. E avançou sobre Lula para conter os sonhos de milhões de brasileiros que enfim ganharam o direito de sonhar. Pode ter sido um mau negócio", diz o texto; "Mais do que nunca, é hora de lutar pela Democracia, pelo povo, por Lula e pelo Brasil. E em comprovado Estado de Exceção, quando o direito não existe mais, a desobediência civil, com ações mais firmes, significa a nova era de lutas para parar o país"

29/08/2017- Lula participa do Ato Pela Democracia e Mais Direitos, em Quixadá (CE) Foto: Ricardo Stuckert
29/08/2017- Lula participa do Ato Pela Democracia e Mais Direitos, em Quixadá (CE) Foto: Ricardo Stuckert (Foto: Aquiles Lins)

Por Jornalistas Livres - Ele é mais do que as políticas públicas e projetos sociais de seus governos, hoje internacionalmente cantados em prosa e verso. O sobrenome Da Silva, que Lula compartilha com milhões de brasileiros, é a assinatura de um nordestino como milhões de outros que, fugindo da morte e vida severina, cruzaram o país em busca de esperança de dias melhores. Luís Inácio Lula da Silva é metonímia do povo brasileiro.

Lula é o cara que passou fome, numa família de cinco irmãos, e que sobreviveu pelo amor generoso de uma mãe forte e protetora. Como aconteceu com milhões de brasileiros. Mas Lula não é só um representante da classe operária. Ele é um herói, o ideal da classe. O cara que, semialfabetizado, afrontou com sua inteligência a pernóstica cultura bacharelesca da nossa elite covarde, preconceituosa e corrupta.

Lula não poderia ser perdoado depois de sua audácia impertinente ter mostrado que o Brasil é muito melhor do que jamais puderam sonhar os machos brancos e ricos que infelicitam o povo há séculos. Lula foi longe demais. Se ao menos tivesse uma faculdade. Se ao menos falasse inglês. Se ao menos usasse óculos. Se ao menos não se deixasse fotografar sem camisa, carregando geladeiras de isopor nos ombros, como um farofeiro. Se ao menos se vestisse com requinte, puxa! Mas Lula mostra que nada disso importa para viver a vida e, como presidente de nação, fazer a maioria da população viver melhor, saindo, por exemplo, da linha da pobreza.

Se ao menos fosse menos Da Silva e menos nordestino.... ele poderia ser perdoado. Se ao menos não tivesse acabado com a miséria que conheceu tão bem como criança... Mas Lula "errou" por ser de origem tão humilde e ter mudado a vida de tanta gente tão humilde quanto ele. E quem o condena, quem o sentencia, não faz ideia do porquê, afinal de contas, não há provas.

A elite escravocrata do país, incluindo seus parceiros do Norte e Nordeste, a Casa Grande, não tolera a insubordinação. E avançou sobre Lula para conter os sonhos de milhões de brasileiros que enfim ganharam o direito de sonhar. Pode ter sido um mau negócio. A condenação desnuda a Justiça injusta que temos. Desnuda a mídia patife. Desnuda as vilezas da grande maioria dos integrantes do Congresso Nacional. E desnuda o prazer tão virulento de uma Direita perversa do país, que reclama dos aeroportos quando eles se popularizam, porque aí se parecem com grandes rodoviárias.

A gente pode se abater frente a mais uma injustiça cometida pelo Judiciário, que sempre pertenceu à elite brasileira, aos brancos ricos, aos senhores de escravos. Sempre foi assim. A diferença é que agora está estampado na nossa cara que o Judiciário sujou de vez sua história, quando feriu o Estado Democrático de Direito e deixou claro que tem dono e não é o povo, que o Congresso tem dono, e também não é o povo.

Mas podemos e vamos dar razão ao hino e não fugir à luta. Quem sempre carregou o piano, pode resolver parar. Parar porque está claro que o julgamento de Lula é a continuidade de um golpe para tirar direitos dos trabalhadores, para vender o patrimônio do país, para enriquecer ainda mais os já muito ricos.

É preciso parar porque eles vieram para cima de nós. Estávamos ensaiando dias melhores para a maioria de nós. Ainda faltava muita coisa para podermos dizer que o Brasil era justo para com seus filhos. Mas eles resolveram vir para cima e nos fizeram voltar 50 anos em nosso caminho civilizatório. Com poucas canetadas no Congresso e no Judiciário, nossa sociedade, sim ela é nossa, regrediu décadas em direitos sociais, em justiça social, em divisão um pouco mais igualitária dos produtos do nosso trabalho.

Não devemos e não podemos aguardar para ver se Lula poderá ser candidato. Não podemos repetir o mesmo tipo de reação da época do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Estávamos sempre colocando nossa esperança em parceiros do golpe. Esperamos que Renan Calheiros bloqueasse o processo de impeachment no Senado. Esperamos que o Supremo Tribunal Federal desnudasse a farsa do golpe perpetrado pelo Congresso. Agora vamos esperar que a Justiça permita que Lula seja candidato? Enquanto esperarmos as ações que queremos de classes adversárias, seremos vencidos e essa derrota significará a aniquilação da Democracia de uma vez por todas. As ações que queremos devemos executá-las por nós mesmos. Não é hora de sonhar com Lula candidato e continuar nossas vidas como se não tivessem passado a mão em nossos direitos.

Mais do que nunca, é hora de lutar pela Democracia, pelo povo, por Lula e pelo Brasil. E em comprovado Estado de Exceção, quando o direito não existe mais, a desobediência civil, com ações mais firmes, significa a nova era de lutas para parar o país.

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