Kennedy: disciplina é diferente de tortura, ministro Moro

O jornalista Kennedy Alencar considera que é "completamente inadequada a reação do ministro da Justiça, Sergio Moro, às acusações de tortura em presídios do Pará sob administração federal temporária"

(Foto: Reprodução | ABr)

247 - O jornalista Kennedy Alencar, em sua coluna no IG, considera que é "completamente inadequada a reação do ministro da Justiça, Sergio Moro, às acusações de tortura em presídios do Pará sob administração federal temporária". 

"De imediato, o ministro desmereceu a ação pedida por 17 de 28 procuradores da República do Pará com denúncias de torturas nos presídios do Estado sob cuidados federais. Houve pedido de afastamento do agente penitenciário federal Maycon Cesar Rottava do comando da força-tarefa que cuida dessas prisões. O juiz aceitou e o afastou de forma cautelar (até apuração final dos fatos)."

"O ministro da Justiça deveria ser mais cuidadoso e pedir a apuração e punição de eventuais abusos. É chocante a reportagem do Vinicius Sassine, do jornal “O Globo”, que revelou as acusações de tortura. Trata-se de um retrato da barbárie brasileira. É um horror."

"O relato diz que havia, sim, torturas pontuais em presídios do Estado, o que já é inadmissível. Mas a intervenção federal as tornou uma prática generalizada, afirmam procuradores da República. Servidores estaduais dizem que não conseguem dormir por conta dos gritos. Um trecho dos relatos: 'Parece que fizeram uma seleção de psicopatas e deram o direito a eles de se regozijarem nos presos'."

"Mulheres e homens foram torturados barbaramente"

"Mais uma vez, Moro agiu como se fosse o antigo juiz federal. “Acho que as bases que levaram à propositura desta ação não estão corretas. Tenho absoluta crença de que, assim que os fatos forem totalmente esclarecidos, esta questão vai ser resolvida. A intervenção levou disciplina para dentro dos presídios”, declarou."

"Ora, disciplina é diferente de tortura, ministro Moro. Tortura é barbárie. O ministro da Justiça de uma democracia deveria ser o primeiro a saber a diferença e a querer apurar e punir eventuais abusos."

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