Limongi: Temer habita um mundo anacrônico

"Temer confinou as brasileiras ao lar em pleno Dia Internacional das Mulheres. O anacronismo ficou patente. Tradicional no repertório, o presidente não poderia deixar passar a data sem mencionar as 'conquistas' usuais, como o direito ao voto, estendido às mulheres pelo Código Eleitoral de 1932, um dos avanços da Era Vargas. Pisou na bola uma vez mais, desta vez, contudo, não o fez sozinho. Poucos sabem, mas o fato é que a mulher ideal que habita o mundo de Temer, as que só saem de casa para ir ao mercado (ou à igreja), continuaram a depender da autorização dos maridos para votar por muito tempo", escreve o cientista político e professor da USP Fernando Limogi

"Temer confinou as brasileiras ao lar em pleno Dia Internacional das Mulheres. O anacronismo ficou patente. Tradicional no repertório, o presidente não poderia deixar passar a data sem mencionar as 'conquistas' usuais, como o direito ao voto, estendido às mulheres pelo Código Eleitoral de 1932, um dos avanços da Era Vargas. Pisou na bola uma vez mais, desta vez, contudo, não o fez sozinho. Poucos sabem, mas o fato é que a mulher ideal que habita o mundo de Temer, as que só saem de casa para ir ao mercado (ou à igreja), continuaram a depender da autorização dos maridos para votar por muito tempo", escreve o cientista político e professor da USP Fernando Limogi
"Temer confinou as brasileiras ao lar em pleno Dia Internacional das Mulheres. O anacronismo ficou patente. Tradicional no repertório, o presidente não poderia deixar passar a data sem mencionar as 'conquistas' usuais, como o direito ao voto, estendido às mulheres pelo Código Eleitoral de 1932, um dos avanços da Era Vargas. Pisou na bola uma vez mais, desta vez, contudo, não o fez sozinho. Poucos sabem, mas o fato é que a mulher ideal que habita o mundo de Temer, as que só saem de casa para ir ao mercado (ou à igreja), continuaram a depender da autorização dos maridos para votar por muito tempo", escreve o cientista político e professor da USP Fernando Limogi (Foto: Giuliana Miranda)

247 - "Temer confinou as brasileiras ao lar em pleno Dia Internacional das Mulheres. O anacronismo ficou patente. Tradicional no repertório, o presidente não poderia deixar passar a data sem mencionar as 'conquistas' usuais, como o direito ao voto, estendido às mulheres pelo Código Eleitoral de 1932, um dos avanços da Era Vargas. Pisou na bola uma vez mais, desta vez, contudo, não o fez sozinho. Poucos sabem, mas o fato é que a mulher ideal que habita o mundo de Temer, as que só saem de casa para ir ao mercado (ou à igreja), continuaram a depender da autorização dos maridos para votar por muito tempo", escreve o cientista político e professor da USP Fernando Limogi.

Confira trechos do texto:

"À primeira vista, o direto de voto feminino chegou cedo ao Brasil, antes do que em muitos países tomados como mais civilizados e avançados, como a "certinha" Suíça, onde o voto foi exclusivamente masculino até 1971.

Este pioneirismo de face, contudo, esconde que, na prática, o Código Eleitoral de 1932 não produziu equiparação efetiva entre os gêneros na hora de votar. As mulheres, sobretudo aquelas descritas por Temer, as "senhoras do lar", dedicadas exclusivamente à educação dos filhos, só viriam a obter de fato o direito de votar em 1965, em plena ditadura militar.

Esta discriminação tem passado despercebida. Ninguém se deu conta ou se importou. O fato é que entre 1932 a 1965, a possibilidade de que as donas de casa saíssem da vida privada e se "arrojassem no turbilhão dos comícios e na agitação dos parlamentos" permaneceu sob o controle da autoridade masculina.'

"Senhoras do lar' só obtiveram direito ao voto em 1965

O desconhecimento se explica por uma cortina de fumaça. A restrição ao direito de voto das mulheres foi hábil e deliberadamente varrida para debaixo do tapete. Foi feita sem chamar a atenção. O que se deu com pompa com uma mão, retirou-se astuciosamente com a outra."

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