Luis Miguel: aposta em Huck mostra como eleições fazem mal à direita

Cientista político Luis Felipe Miguel critica a decadência da direita brasileira, que vê seus candidatos potenciais se "esfarinharem" após o golpe parlamentar de 2016 e agora apostam no apresentador global Luciano Huck como opção; "A possível candidatura de Huck mostra, uma vez mais, como eleições fazem mal à direita brasileira, incapaz de produzir candidatos viáveis. Seu único caminho é dobrar a aposta no analfabetismo político da maioria da população e acreditar que a ausência de um programa social será compensada pela fraca fachada de benemerência privada que seu candidato tentou construir nos últimos anos", diz Miguel

Cientista político Luis Felipe Miguel critica a decadência da direita brasileira, que vê seus candidatos potenciais se "esfarinharem" após o golpe parlamentar de 2016 e agora apostam no apresentador global Luciano Huck como opção; "A possível candidatura de Huck mostra, uma vez mais, como eleições fazem mal à direita brasileira, incapaz de produzir candidatos viáveis. Seu único caminho é dobrar a aposta no analfabetismo político da maioria da população e acreditar que a ausência de um programa social será compensada pela fraca fachada de benemerência privada que seu candidato tentou construir nos últimos anos", diz Miguel
Cientista político Luis Felipe Miguel critica a decadência da direita brasileira, que vê seus candidatos potenciais se "esfarinharem" após o golpe parlamentar de 2016 e agora apostam no apresentador global Luciano Huck como opção; "A possível candidatura de Huck mostra, uma vez mais, como eleições fazem mal à direita brasileira, incapaz de produzir candidatos viáveis. Seu único caminho é dobrar a aposta no analfabetismo político da maioria da população e acreditar que a ausência de um programa social será compensada pela fraca fachada de benemerência privada que seu candidato tentou construir nos últimos anos", diz Miguel (Foto: Aquiles Lins)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Por Luis Felipe Miguel, em seu Facebook - A eleição de 1989 foi agitada. Foi a primeira vez que o povo brasileiro foi chamado a escolher um presidente desde 1960. Foi uma eleição "solteira", sem disputa simultânea para outros cargos. Foram 22 candidatos e aqueles lançados pelos maiores partidos - Ulysses Guimarães, do PMDB, e Aureliano Chaves, do PFL - logo mostraram não ter qualquer chance.

A partir de certo momento, ficou evidente que uma das vagas do segundo turno iria para Fernando Collor e a segunda tinha como favoritos Lula e Leonel Brizola. Os três eram desafetos do então presidente Sarney; Collor, em particular, concorrendo na faixa da direita, fustigava muito a incompetência e corrupção da administração federal, envolvendo-se em bate-bocas seguidos com ministros.

Sarney decidiu melar a campanha do pretenso caçador de marajás e articulou o lançamento de um candidato surpresa, já no meio do processo: Silvio Santos, que ocupou o lugar do pastor Armando Corrêa à frente da chapa do nanico Partido Municipalista Brasileiro (PMB). Na propaganda eleitoral, nos poucos segundos de que dispunha, o dono do SBT limitava-se a explicar que, para votar nele, era preciso marcar o nome de Corrêa na cédula (na época, ainda impressa e impossível de ser alterada em tempo hábil). Collor sentiu o baque, já que Silvio Santos ciscava exatamente na sua base eleitoral. Mas agiu com rapidez e, graças a seu então fiel escudeiro Eduardo Cunha, encontrou uma brecha para impugnar a candidatura - a justiça eleitoral detectou irregularidades nas convenções do PMB e extinguiu o registro do partido.

Assim acabou a aventura eleitoral de Silvio Santos. Hoje, algo semelhante está sendo reeditado com as articulações em torno de Luciano Huck. Faz tempo que o jovem apresentador acéfalo, que progredia na televisão exibindo modelos seminuas, optou por construir uma imagem de maturidade. Casou-se com a angelical vendedora de produtos para crianças e construiu uma exemplar família nórdica nos trópicos. Trocou as fantasias de sadomasoquismo light pelo assistencialismo midiático, no melhor estilo do próprio Silvio Santos, seguindo à risca seu modelo: tirar milhões dos pobres e tornar-se um benfeitor ao lhes devolver migalhas. Alinhou-se ao que a política brasileira tem de mais atrasado e, na posição de coxinha nº 1 do país, do brother Aécio a Cunha e de Cunha a Temer, não perdeu um salvador da pátria que tenha passado por sua frente.

Agora, Huck está sendo cogitado a sério como alternativa presidencial por uma direita cujos candidatos potenciais, com o perdão do mau trocadilho, se esfarinham a olhos vistos. A Folha de S. Paulo já publicou dois artigos de campanha assinados pelo marido de Angélica, verdadeiros mostruários do lugar-comum conservador sobre a necessidade de "resgatar valores" e "unir as pessoas de bem". Na prática, ele acena para os fundamentalistas de mercado e tem como guru ninguém menos do que Armínio Fraga, o economista dos olhos injetados pelo ódio ao povo.

A possível candidatura de Huck mostra, uma vez mais, como eleições fazem mal à direita brasileira, incapaz de produzir candidatos viáveis. Seu único caminho é dobrar a aposta no analfabetismo político da maioria da população e acreditar que a ausência de um programa social será compensada pela fraca fachada de benemerência privada que seu candidato tentou construir nos últimos anos.

Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247