Lula: mídia é seletiva com nomes da Lava Jato

Segundo o ex-presidente, "nem tudo que é falado é mentira, mas nem tudo é verdade. É preciso ter a capacidade de fazer um processo de depuração, separar o joio do trigo e tentar encontrar o que é sério"; Lula diz defender as investigações, mas teme pela condenação antecipada pela opinião pública, estimulada pela imprensa: "Acontece que, no Brasil, estamos vivendo um momento em que os vazamentos de informações são seletivos. Se são seletivos, significa que se condena quem quiser condenar, no momento que acharem mais adequado"

Brasília - Presidente Lula discursa durante premiação da 3ª edição do Prêmio ODM
Brasília - Presidente Lula discursa durante premiação da 3ª edição do Prêmio ODM (Foto: Roberta Namour)

por Redação Rede Brasil Atual

São Paulo – Após a cerimônia de lançamento da TVT digital, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, na última sexta-feira (6), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista à mídia alternativa e disse que a cobertura da mídia tradicional sobre o caso Petrobras é diária, intensa, mas seletiva em relação aos nomes dos envolvidos.

Lula disse ter orgulho por pertencer a um partido político responsável por facilitar as apurações de corrupção e destacou a autonomia da Polícia Federal, Ministério Público e da Controladoria-Geral da União para lidar com o caso. "Houve um tempo, neste país, que não aparecia denúncia de corrupção porque tinha um tapete muito grande, em que as pessoas jogavam embaixo. Nós tiramos os tapetes da sala."

"Se alguém, mesmo que seja do PT, praticou qualquer ato de corrupção, ele tem de ser punido. Portanto, nós participamos do pressuposto de que a lei vale para todos", afirmou o ex-presidente. "Isso me dá orgulho de saber que fiz parte de um partido político, de um governo que está apurando. Só tem um jeito de você não ser investigado, é ser honesto, é ser digno."

Para Lula, o trabalhador que acorda cedo todos os dias e só vê denúncias de corrupção na TV tem razão em ter nojo da política. Ele também defende que cabe aos dirigentes fazer as coisas corretas para que o povo possa se orgulhar.

Sobre a manipulação da mídia tradicional na cobertura do caso Petrobras, Lula disse que "nem tudo que é falado é mentira, mas nem tudo é verdade. É preciso ter a capacidade de fazer um processo de depuração, separar o joio do trigo e tentar encontrar o que é sério".

Lula falou em favor do Estado de direito, que defende as investigações, mas teme pela condenação antecipada pela opinião pública, estimulada pela imprensa: "Acontece que, no Brasil, estamos vivendo um momento em que os vazamentos de informações são seletivos. Se são seletivos, significa que se condena quem quiser condenar, no momento que acharem mais adequado".

Durante a cerimônia, o diretor de Comunicação do sindicato, Valter Sanches, salientou que Lula foi um dos responsáveis pelo surgimento da TVT. O presidente acredita que os responsáveis foram os trabalhadores do ABC, que acreditaram que era necessário e possível ter um meio de comunicação para falar aquilo que queriam dizer e tentar mostrar para a sociedade sua visão de mundo.

"Foi um trabalho difícil, de sacrifício. Lembro que começamos com uma maquininha que eu trouxa de uma viagem", relata o ex-presidente, e acrescenta que é um prazer enorme participar do lançamento da TVT digital, mas que os desafios na busca por uma programação de qualidade e audiência estão apenas começando.

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