Lula segue estratégia sofisticada e é um 'Pirro às avessas', diz jornalista

A estratégia desenhada por Lula em sua articulação para recolocar de volta o PT no poder é complexa e implica em um desafio aos seus detratores e inimigos; é o que aponta a jornalista do jornal Folha de S. Paulo, Daniela Lima; para ela, ao fazer o seu registro como candidato, Lula obriga as cortes superiores a se manifestarem e continua como 'perseguido' no imaginário popular; Lima postula que Lula vai construindo uma 'vitória de Pirro às avessas', ou seja: uma vitória magra e efêmera num primeiro momento e uma vitória real e consagradora num segundo e definitivo momento

Lula segue estratégia sofisticada e é um 'Pirro às avessas', diz jornalista
Lula segue estratégia sofisticada e é um 'Pirro às avessas', diz jornalista (Foto: Ricardo Stuckert)

247 - A estratégia desenhada por Lula em sua articulação para recolocar de volta o PT no poder é complexa e implica em um desafio aos seus detratores e inimigos. É o que aponta a jornalista do jornal Folha de S. Paulo, Daniela Lima. Para ela, ao fazer o seu registro como candidato, Lula obriga as cortes superiores a se manifestarem e continua como 'perseguido' no imaginário popular. Lima postula que Lula vai construindo uma 'vitória de Pirro às avessas', ou seja: uma vitória magra e efêmera num primeiro momento e uma vitória real e consagradora num segundo e definitivo momento. 

Uma das facetas da estratégia de Lula, segundo a jornalista, é: a despeito do direito de Lula insistir em sua candidatura dentro dos prazos legais e do protocolos formais, o que seus perseguidores esperavam era uma desistência que não veio. Isso confere um grau de irritabilidade nas cortes que acabam por induzirem-nas ao erro e ao desgaste. 

Leia trechos do artigo de Daniela Lima, publicado no jornal Folha de S. Paulo

"Ao registrar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, nesta quarta-feira (15), o PT abre nova e aguda fase de embate com o Judiciário, reafirmando tática que foi adotada pelo ex-presidente desde que ele entrou na mira da Lava Jato. A opção pelo confronto foi consciente e pragmática. Numa tentativa de dar sobrevida política ao partido que criou e ao próprio legado, Lula decidiu esgarçar todos os fios de sua relação com a Justiça, sacrificando as remotas chances que teria de deixar a cadeia cedo ou de contar com alguma boa vontade no Tribunal Superior EleitoralO petista sabe que, colocando o TSE contra a parede enquanto arquiteta a própria substituição na corrida pelo Planalto —dentro da carceragem da Polícia Federal—, irrita os ministros e abre espaço para respostas extremadas e céleres. Mas é preso, derrotado dia após dia nos tribunais, que Lula mantém vivo o discurso de que é vítima de uma caçada judicial.

O ex-presidente, que se comunica com parcela expressiva do povo como poucos, tem ciência de que, por si só, o fato de ele estar na cadeia enquanto outras cabeças coroadas circulam pelos corredores do poder alimenta em seus simpatizantes desconfianças de tratamento desigual. Lula sabe que suas chances de continuar na disputa presidencial são praticamente nulas. Sabe que não sairá da cadeia este ano, em meio ao debate eleitoral. Sabe que toda vez que ataca o Judiciário estrangula o discurso daqueles que, em análise fria, apontam atipicidades no caso que o levou para a prisão. Ele sabe. O ex-presidente faz o que faz em nome de um projeto de poder muito bem estruturado na cabeça dele. Vai esticar sua presença virtual na disputa até o limite, seja brigando com o TSE, com Sergio Morocom o Supremo, com tudo."

 

 

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