Maria Hermínia Tavares: Pior será depois

A Professora titular aposentada de ciência política da USP e pesquisadora do Cebrap, Maria Hermínia Tavares, prevê que quando a epidemia passar, o Brasil estará mais triste, mais pobre e certamente mais desigual

(Foto: Reuters)
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247 - "O coronavírus não escolhe suas vítimas: ataca sem distinção todos quantos acha no caminho. Mas a chance de topar com ele depende apenas em parte do acaso. Fatores sociais fora do controle individual influem no risco de se contrair a doença e no alcance dos seus efeitos", escreve a professora Maria Hermínia Tavares na Folha de S.Paulo.

"Agudas diferenças de riqueza e renda formam o alicerce sobre o qual se assentam outras formas de desigualdade —todas se realimentando. Na crise atual, manifestam-se sobretudo nos meios de se proteger da moléstia; nas chances de contraí-la e a ela sucumbir; e no grau em que ditarão as condições de vida no futuro".

"À medida que a epidemia chega às vizinhanças mais carentes, a suspensão das atividades econômicas, o isolamento social e as medidas de higiene —corretamente prescritos pelos governos— deixam de ser possíveis. Os pobres não podem abrir mão do trabalho informal que lhes garante o sustento, não têm como se isolar em habitações onde muitos se apertam em pouco espaço e, com frequência, não dispõem de água e esgoto que lhes permitam seguir as recomendações sanitárias".

A autora conclui: "Não tem erro: quando a epidemia passar, o Brasil estará mais triste, mais pobre e certamente mais desigual".

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