Mário Magalhães: mídia cometeu crime de desonestidade intelectual na eleição

Jornalista e escritor Mário Magalhães critica, em seu recém-lançado livro Sobre Lutas e Lágrimas - Uma biografia de 2018, a postura da imprensa na cobertura da Lava Jato e no segundo turno das eleições. Para ele, este é um ano que vai "influenciar decisivamente a vida brasileira para o bem e para o mal"

(Foto: Editora 247)

247 - O jornalista e escritor Mário Magalhães, autor de Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo, fala em entrevista à TV 247 sobre seu novo livro, Sobre Lutas e Lágrimas - Uma biografia de 2018, e afirma que os acontecimentos do ano passado vão, por muito tempo, "influenciar decisivamente a vida brasileira para o bem e para o mal". Ele acrescenta que este é um ano que vai custar a terminar.

"A morte encomendada da Marielle, a prisão do ex-presidente Lula e a vitória do Bolsonaro", resume o jornalista, para apontar os acontecimentos mais marcantes do período, registrados na obra que traz também diversos episódios positivos. “No caso do presidente Lula, do início ao fim, o livro escrutina o inquérito e o processo em que ele acabou condenado. Eu nunca frequentei uma aula de Direito Penal, nunca fui calouro de Direito mas como eu escrevo, as pessoas podem não entender nada de Direito, mas entende o que é justiça e injustiça”, diz.

O jornalista destaca que "o livro, do início ao fim, é pontuado por observações do desempenho da imprensa", inclusive sobre a cobertura da Lava Jato. Magalhães lembra que, em uma entrevista ao Intercept, a ex-chefe da assessoria de imprensa da Operação se disse espantada com a falta de espírito crítico dos repórteres que cobriam o caso. “Evidente que a cobertura foi unilateral”, observa.  

Em relação às eleições de 2018, Mário Magalhães também critica duramente a mídia: "eu acho um crime de desonestidade intelectual o que foi feito por vastos segmentos do jornalismo brasileiro no segundo turno da eleição, que foi comparar, tratar como iguais, Haddad e Bolsonaro". "O Bolsonaro é um extremista, um viúvo da ditadura, defende a tortura, defende métodos medievais no trato da oposição, só que o Haddad, pelo amor de Deus, é um homem moderado. Todo mundo sabe que ele não é um radical. Isso foi muito grave o que o jornalismo fez", afirma.

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