Nem em ano eleitoral Merkel se rende ao Twitter

Segundo porta-voz da chanceler alemã, "não há planos concretos" para que Angela Merkel comece a utilizar a rede social, apesar de o Twitter ser tratado como estratégico pelo presidente dos EUA, Barack Obama, pelo premiê britânico David Cameron e até pelo Vaticano. Para analistas, discrição fomenta sua popularidade, que atingiu 70% em agosto passado

Nem em ano eleitoral Merkel se rende ao Twitter
Nem em ano eleitoral Merkel se rende ao Twitter (Foto: MORRIS MAC MATZEN)
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Opera Mundi - A chanceler alemã Angela Merkel, do partido conservador União Democrata-Cristã, enfrentará mais uma disputa eleitoral em setembro. No cargo desde 2005 e em seu segundo mandato, ela é mais uma vez favorita a bater a oposição social-democrata e conquistar a reeleição. Taxada de "enigmática" e pouco carismática, Merkel, formada em física, já deu o primeiro sinal de que pouco mudará a estratégia para a campanha deste ano e se recusou a criar uma conta no Twitter.

Segundo a revista alemã Der Spiegel, o porta-voz da chanceler, Steffen Seibert, afirmou que "não há planos concretos" para que Angela Merkel comece a utilizar a rede social, apesar de ela ser tratada como estratégica pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pelo premiê britânico David Cameron e até pelo Vaticano. Recentemente, o papa Bento 16 também inaugurou sua conta na rede social. Merkel continuará, segundo a publicação, utilizando o celular apenas para mandar suas famosas mensagens texto.

Em uma sondagem de agosto do ano passado, o estilo sóbrio da chanceler para conduzir o país e a crise do euro recebeu aprovação de 70% do eleitorado alemão - apesar de todas as críticas internacionais ao processo. Pelo posicionamento, Merkel recebeu o apelido de "Iron Frau" da imprensa britânica, ou "Dama de Ferro", em referência à ex-primeira-ministra do Reino Unido Margaret Thatcher, do Partido Conservador.

A popularidade de Merkel, segundo analistas, tem relação direta com sua discrição - uma característica comum a líderes alemães pós-1945, como o chanceler Helmut Kohl, que governou o país durante a reunificação, de 1982 a 1998. Com uma conta no Twitter, Merkel abriria caminho para uma relação de proximidade com o eleitorado, que aparentemente prefere a distância emocional de uma chefe de Estado.

No campo oposto, Peer Steinbrück, do Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, usa sua conta no Twitter e se prepara para a campanha contra a Iron Frau. Na pesquisa mais recente, realizada pela ARD-Deutschlandtrend e publicada no dia 4 de janeiro, seu partido tinha 29% das intenções de voto, contra 41% da legenda conservadora de Merkel. O Partido Verde somou 12% e o A Esquerda, 6%.

Em seu discurso de ano novo, Merkel alertou os alemães para um ambiente econômico "mais difícil" do que em 2012 e pediu "paciência" e "coragem". "As reformas que estabelecemos [na Europa] começam a produzir seus efeitos. Mas ainda precisamos de muita paciência. A crise ainda está longe de ser superada", considerou a chanceler, que prefere o microfone a tuitar.

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