O Brasil é uma nau sem comando e sem rumo, diz economista

O economista José Luís Fiori afirma que Bolsonaro e sua respectiva equipe ministerial não demonstram qualquer capacidade de governar o país; ele diz: "bastou um mês para que as pessoas mais avisadas percebessem que Jair Bolsonaro e seus aliados mais próximos não têm preparo nem estatura para governar um país com 220 milhões de habitantes, que está dividido e destruído moralmente, literalmente caindo aos pedaços"

O Brasil é uma nau sem comando e sem rumo, diz economista
O Brasil é uma nau sem comando e sem rumo, diz economista (Foto: Reuters)

247 - O economista José Luís Fiori afirma que Bolsonaro e sua respectiva equipe ministerial não demonstram qualquer capacidade de governar o país. Ele diz: "bastou um mês para que as pessoas mais avisadas percebessem que Jair Bolsonaro e seus aliados mais próximos não têm preparo nem estatura para governar um país com 220 milhões de habitantes, que está dividido e destruído moralmente, literalmente caindo aos pedaços."

Fiori acrescenta: "nesse mesmo tempo, ficaram visíveis também as divisões e as lutas internas dentro dessa coalisão que se formou às pressas para barrar o caminho eleitoral de Luiz Inácio da Silva, e muitos analistas já preveem, para breve, inclusive a "defenestração" de alguns membros do governo ou do próprio presidente."

O economista publicou um artigo no site Carta Maior e iniciou sua reflexão com uma citação clássica do escritos argentino Jorge Luis Borges apud Michel Foucault, de forma a aludir o caos tipológico que desorganiza qualquer tentativa de governança bolsonarista: "os animais se dividem em: a) pertencentes ao imperador; b) embalsamados, c) domesticados, d) leitões, e) sereias, f) fabulosos, g) cães em liberdade, h) incluídos na presente classificação, i) que se agitam como loucos, j) inumeráveis, k) desenhados com um pincel muito fino de pelo de camelo, l) et cetera, m) que acabam de quebrar a bilha, n) que de longe parecem moscas."

[M. Foucault, "Uma certa enciclopédia chinesa", in As Palavras e as Coisas, Martins Fontes, São Paulo. 2002. p: IX]

Fiori prossegue: "com ou sem Bolsonaro, o que é que este conglomerado tão heterogêneo de pessoas está se propondo a fazer diante do desafio de uma economia que está estagnada há anos; de uma sociedade que está cada vez mais desigual e violenta; e de um povo que está cada vez mais pobre e sem esperança de futuro para seus filhos e netos, que estão abandonando o país. Dizer que se trata de um governo de extrema-direita, populista e com impulsos fascistas não responde automaticamente a nossa pergunta, porque existem muitos governos que hoje se definem da mesma maneira, em vários lugares do mundo, e que são inteiramente diferentes entre si. Tampouco resolve o problema dizer apenas que se trata de um "governo militar", apesar de que, de fato, já existam mais de 60 militares ocupando postos de comando e posições técnicas em quase todos os ministérios, autarquias ou empresas estatais do governo, além, obviamente, do próprio presidente e seu vice-presidente. Provavelmente, em maior número do que houve no governo do General Castelo Branco e seus sucessores, durante o regime instalado pelo golpe militar de 1964. O mundo mudou e as circunstâncias nacionais são muito diferentes, mas assim mesmo, esta comparação ainda possa ser a melhor pista para entender e decifrar o futuro deste novo governo brasileiro. Senão vejamos, começando por algumas semelhanças mais expressivas."

 

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