O chanceler réu na Suprema Corte

"Agora vejam como o Brasil tem motivos para se orgulhar, daqui a pouquinho, como chanceler brasileiro, Aloysio Nunes Ferreira vai participar de uma reunião de ministros de Relações Exteriores dos países que integram o G-20. O tema dessa reunião: o combate à corrupção. Ninguém como ele poderá falar com mais conhecimento de causa. Parabéns Temer", diz Eric Nepumoceno no Nocaute

Aloysio Nunes
Aloysio Nunes (Foto: Giuliana Miranda)
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Por Eric Nepumoceno, no Nocaute

Uma das características do governo Michel Temer é ser um governo sem surpresas. Sempre que ele puder escolher entre as piores opções, ele escolhe a pior de todas. Por exemplo, terça-feira agora essa semana, assumiu o novo ministro da Justiça. Uma figurinha obscura chamada Osmar Serraglio. Ele teve uma atividade muito intensa em defesa do Eduardo Cunha. Osmar Serraglio é do Paraná, onde atualmente o Cunha está residindo numa cela de cadeia.

Ele como ministro da Justiça, vejam vocês. O Ministério da Justiça tem sob suas funções, entre outras, decidir sobre as demarcações das terras indígenas (aquelas terras que toda a bancada rural põe um olho do tamanho de um, sei lá de um hipopótamo. Tamanha a avidez dos latifundiários brasileiros) Até aí, tudo bem. Só que o Osmar Serraglio, essa figurinha opaca e insignificante, pertence à bancada ruralista.

Agora, o que isso tem de estranho no governo Michel Temer? Nada, nada. Ele não botou o outro ministro da Justiça dele na Corte Suprema? Nenhuma novidade. E a outra nomeação é essa que reforça aquilo que eu disse um tempinho atrás aqui: coerência do Michel Temer. Entre o péssimo Zé Serra que saiu, alegando razões de saúde, e o Aloysio Nunes Ferreira, existe um oceano de coincidências, um oceano.

Há pelo menos uma diferença importante: o Zé Serra foi citado em várias denúncias de corrupção, enquanto que o Aloysio Nunes Ferreira já é réu na Corte Suprema. Os dois, Serra e Aloysio Nunes Ferreira, são exemplos exemplares, aqui vale a redundância, de tudo aquilo que vai contra as regras da boa prática diplomática. São grosseiros, são explosivos, são autoritários, são um horror.

Agora vejam como o Brasil tem motivos também para se orgulhar, já que o nosso futebol anda mais pra lá do que pra cá. Daqui a pouquinho, como chanceler brasileiro, Aloysio Nunes Ferreira vai participar de uma reunião de ministros de Relações Exteriores dos países que integram o G-20, aquele grupo das maiores economias do mundo. O tema dessa reunião: o combate à corrupção.

Digam aí, olha se não é motivo de orgulho. Dos vinte chanceleres, o nosso será o único que é réu num processo de corrupção na Corte Suprema do país. Ninguém como ele poderá falar com mais conhecimento de causa. Parabéns Temer.

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