Para Frias, caixa de ferramentas de Mantega ficou vazia

No editorial "Monotonia na Fazenda", a Folha, de Otávio Frias Filho, afirma que as desonerações fiscais promovidas pelo ministro já não promovem os resultados desejados

Para Frias, caixa de ferramentas de Mantega ficou vazia
Para Frias, caixa de ferramentas de Mantega ficou vazia
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247 - Mais do mesmo. É assim que a Folha de S. Paulo vê as desonerações fiscais que vêm sendo promovidas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para tentar estimular a economia. Leia, abaixo, o editorial sobre o tema:

Monotonia na Fazenda

Ministro Guido Mantega volta a estender redução de IPI para tentar reativar a indústria, que ainda resiste aos anseios do Planalto

A decisão do governo federal de prorrogar o abatimento do IPI para automóveis até o fim do ano, revogando o cronograma de normalização anunciado pelo mesmo governo no fim de 2012, equivale à confissão de sua impotência em restaurar a atividade na indústria -e na economia como um todo.

O Ministério da Fazenda cogita estender o favor para a linha branca de eletrodomésticos, na expectativa de aí também impulsionar as vendas. Mas o arsenal do Planalto é cada vez mais inoperante.

Em 2009, a mesma política de cortar impostos fez as vendas e a produção dispararem. O PIB cresceu 7,5% no ano seguinte e o incentivo foi suspenso. O dinamismo, porém, durou pouco.

Em maio de 2012 houve nova redução do IPI, em reação à fraqueza de vendas e aos altos estoques. O ministro Guido Mantega decerto contava repetir o sucesso de 2009, mas o crescimento do PIB foi confrangedor (0,9%). A sensação agora é de fim de festa, a despeito de recordes pontuais de vendas.

O mercado de veículos novos, incluindo caminhões e ônibus, registrou no primeiro trimestre deste ano o melhor volume de sua história. Foram 830,5 mil unidades licenciadas, uma alta de 1,5% em relação ao mesmo período de 2012.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) manteve a previsão de alta de 3,5% a 4,5% na produção deste ano, para 3,5 milhões de veículos. Mas a meta estaria ameaçada sem a renovação do abatimento do IPI, segundo o presidente da entidade, Cledorvino Belini.

Certamente a linha de argumentação se provou eficaz para convencer o governo a aceitar a renúncia fiscal (que, de abril a dezembro, engolirá R$ 2,2 bilhões). A projeção de aumento da produção, contudo, não é realista. O comportamento do mercado sugere estagnação ou até queda moderada de vendas.

Os estoques permanecem altos (34 dias), mesmo com o recorde de vendas. O crédito também não dá sinais de retomada -de um lado, a disposição dos bancos para uma nova onda de empréstimos a fim de alavancar o consumo parece arrefecer; de outro, o consumidor já está muito endividado.

Mais uma vez, o ministro da Fazenda apenas adia o problema, o que serve para confirmar que sua caixa de ferramentas se esvaziou. De duas, uma: ou o abatimento do IPI se tornará eterno, ou o consumo sofrerá um baque quando a alíquota do IPI for normalizada.

Seja como for, está mais evidente que só reiterar a política de estímulo ao consumo não tem mais o poder de catapultar o crescimento do PIB acima do nível de 3%, como deseja a presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff.

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