Para os reacionários, não basta prender Lula

"Castrar a potencial candidatura de Lula é café pequeno. A angústia reacionária decorre da impossibilidade ontológica de raptar seu gigantesco simbolismo de grande eleitor. Lula detém fabuloso e invulnerável estoque de votos plurais e o dedo que lhe falta é o da delação, não o da vitória. Para onde apontar, lá terão milhões de votos", avalia o professor Wanderley Guilherme dos Santos na coluna de Mauricio Dias na Carta Capital

O ex-presidente Lula chega em sua residência em São Bernardo do Campos
O ex-presidente Lula chega em sua residência em São Bernardo do Campos (Foto: Giuliana Miranda)

247 - Na opinião do colunista Mauricio Dias, tão ruim quanto a situação econômica é o cenário político no País. Em sua coluna na revista Carta Capital, ele divulga a análise do professor Wanderley Guilherme dos Santos sobre a questão.

"Castrar a potencial candidatura de Lula é café pequeno. A angústia reacionária decorre da impossibilidade ontológica de raptar seu gigantesco simbolismo de grande eleitor. Lula detém fabuloso e invulnerável estoque de votos plurais e o dedo que lhe falta é o da delação, não o da vitória. Para onde apontar, lá terão milhões de votos. Por isso, a tarefa do conclui reacionário se afunila: as eleições de 2018 não se processarão com as regras previstas. A provisão legal vetando mudanças intempestivas será outro café pequeno para o consórcio que fez o que fez em 2016. A rima é de marcha fúnebre. 

Não é menos fácil a situação dos grupos oposicionistas. Atropelados pela cavalgada reacionária no Congresso, não há como impedir, derrotar ou emendar a virulenta, até mesmo vingativa, legislação antissocial em trânsito. Depois do histórico espetáculo da Câmara dos Deputados, em 17 de abril de 2016, a população nem sequer vaia seja lá o que aconteça naquele recinto. 

(...)

Insucessos como o impedimento ilegal de uma presidenta legítima, que não foram evitados pelas ruas, não são por elas revertidos antes que s invasores sejam abandonados por algum dos sócios da empreitadas. Resta promover a sabotagem política, a intriga entre larápios, a turbulência localizada", escreve o professor.

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