Paulo Sérgio Pinheiro: relato tocante da visita ao Papa

O ex-coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Paulo Sérgio Pinheiro, fez um relato tocante de seu encontro com o Papa no último dia 3 de agosto em artigo publicado nesta quarta na Folha de S.Paulo. "Passados 50 minutos, o papa distribui rosários a todos, recolhe os relatórios e livros que recebeu e diz: 'Vou passar ao secretário de Estado'. (...) Sobraçando tudo com um dos braços, ele se despede de nós e sai como entrou, sozinho, sem ninguém para ajudar ou abrir a porta". 

Paulo Sérgio Pinheiro: relato tocante da visita ao Papa
Paulo Sérgio Pinheiro: relato tocante da visita ao Papa

247 - O ex-coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Paulo Sérgio Pinheiro, fez um relato tocante de seu encontro com o Papa no último dia 3 de agosto (aqui) em artigo publicado nesta quarta na Folha de S.Paulo. "Passados 50 minutos, o papa distribui rosários a todos, recolhe os relatórios e livros que recebeu e diz: 'Vou passar ao secretário de Estado'. Arrisco: 'Vai ser uma trabalheira'. Sobraçando tudo com um dos braços, ele se despede de nós e sai como entrou, sozinho, sem ninguém para ajudar ou abrir a porta". 

Estiveram com o Papa, além de Pinheiro, Mariete Franco (mãe da vereadora executada Marielle Franco), Carol Proner (professora de direito internacional da UFRJ e membro do Conselho Editorial do 247) e Cibeli Kuss (pastora Luterana do Conic, Conselho Nacional das Igrejas Cristãs). Em seu artigo, Paulo Sérgio Pinheiro relata:

"Roma, 40 graus. Na praça de São Pedro, filas intermináveis de turistas esperam para visitar a basílica. Entramos pelo portão de entrada no Vaticano para a Casa Santa Marta, onde mora o Papa Francisco. Na porta da casa, um carabinieri e um guarda suíço. 'São a delegação brasileira?', abrem a porta."

Mais adiante, ele continua "O papa abre a porta, com um envelope branco na mão, e nos convida a sentar em roda, sem nenhum funcionário em volta. Nada do que pretendia dizer ao papa deve ser grande novidade. O jornal L'Osservatore Romano, o órgão oficial do Vaticano, dois dias antes informava que o número de brasileiros em pobreza extrema passou de 5 milhões a 10 milhões."

A agenda da conversa foi sobre direitos humanos no Brasil, que levam a "um estado de mal-estar social" e mais: "Direitos econômicos e sociais restringidos pela PEC do teto e pela reforma trabalhista. Direitos civis e políticos ameaçados pelo enfraquecimento do Estatuto do Desarmamento, o reempoderamento dos militares, o retorno da Justiça Militar para crimes comuns de militares e prisões de professores em universidades federais. Proteção do meio ambiente, dos povos indígenas e a luta contra o racismo praticamente abandonadas. Mudanças profundas nas políticas públicas jamais legitimadas antes por eleições".

Marielle e Lula estiveram na agenda: "A brutal e ainda inexplicável morte de Marielle Franco, representada ali no diálogo emocionante com o papa por sua mãe, é o símbolo mais forte da violência e da fraqueza da democracia no Brasil. Essa violência tem mensagem clara: falar pelos marginalizados implica grave risco. O Brasil, em 2017, foi o país do mundo com o maior número de assassinatos de defensores de direitos humanos. É neste contexto que o Brasil caminha para uma eleição na qual um dos principais candidatos, o ex-presidente Lula, poderá ser iniquamente excluído. Ele vem sendo sistematicamente silenciado pela interferência da Justiça, que assumiu o papel de protagonista político. As forças conservadoras predominantes no Judiciário asseguram a proteção aos grupos políticos governistas afetados por denúncias."

A simplicidade do Papa visivelmente impressionou Pinheiro -como todos os que encontram-se com Francisco.A íntegra do artigo pode ser lida aqui.

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