Presidente da Abraji diz estar preocupado com insinuações de Moro sobre a Vaza Jato

Presidente da Abraji, Daniel Bramatti, disse ver com preocupação as insinuações feitas pelo ministro Sérgio Moro de que o site The Intercept é cumplice de crime por causa da divulgação das mensagens entre membros da Lava Jato; “Não vejo crime sendo cometido aqui, mas vejo com preocupação quando se insinua isso em uma rede social, porque, de alguma maneira, incita todos os seguidores do ministro a atacarem o jornalista", afirmou

Presidente da Abraji diz estar preocupado com insinuações de Moro sobre a Vaza Jato
Presidente da Abraji diz estar preocupado com insinuações de Moro sobre a Vaza Jato (Foto: Reprodução | ABr)

Rede Brasil Atual - As tentativas do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, de desqualificar as denúncias apresentadas pelo The Intercept Brasil, e as ameaças que vem sendo feitas contra o site e o jornalista Gleen Greenwald foram repudiadas pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Em nota pública, a instituição considerou os ataques como “descabidos” e cobrou uma postura em prol da liberdade de expressão e imprensa por parte de Moro.

Desde a divulgação das conversas que mostram a interferência do ex-juiz Sérgio Moro no processo judicial que levou à prisão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Moro tem procurado criminalizar o site jornalístico, como declarou em seu Twitter ser o The Intercept um “site aliado a hackers criminosos”. De acordo com a nota, o ministro “erra ao insinuar que o veículo é cúmplice de um crime”.

À jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual, o presidente da Abraji, Daniel Bramatti, explica que a lei brasileira é muito específica quanto a regulação do trabalho jornalístico, não cabendo nenhum tipo de acusação ao profissional no caso do material divulgado ter sido obtido de maneira ilegal.  “Ninguém sabe como esse material foi obtido, ninguém tem evidências de que foi de fato um hacker (…) e esses jornalistas têm trabalhado de forma a publicar apenas o que eles consideram que seja de interesse público, eles não estão publicando nenhuma mensagem de caráter pessoal, nada que envolva as famílias das pessoas atingidas, nada disso”, destaca Bramatti.

“Não vejo crime sendo cometido aqui, mas vejo com preocupação quando se insinua isso em uma rede social, porque, de alguma maneira, incita todos os seguidores do ministro a atacarem o jornalista. E a gente sabe que esses ataques não acabam bem, que isso se chama assédio online e pode subir de nível e chegar à ameaças físicas”, ressalta o presidente da Abraji. Em nota, a instituição manifestou solidariedade à Glenn e à equipe, e considerou as ameaças como “ações típicas de contextos autoritários e não podem ser tolerados na democracia que rege o país”.

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