Projeto Panflix explica o afastamento de Villa

A crise interna na Jovem Pan, emissora de rádio que vocaliza o discurso da extrema-direita no Brasil e afastou o comentarista Marco Antônio Villa, decorre de um ambicioso projeto do empresário Antônio Augusto de Carvalho Filho, o Tutinha, que consiste na criação da 'Panflix'; trata-se de uma televisão por streaming, e por assinatura, que concorreria com serviços como Netflix e Amazon Prime; como este projeto não se viabiliza sem a publicidade oficial do governo federal, Villa, que se tornou crítico do bolsonarismo, foi afastado

Projeto Panflix explica o afastamento de Villa
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247 – No vigésimo andar do número 807 da Avenida Paulista, em São Paulo, as obras estão avançadas. É lá que está sendo instalado um dos mais modernos estúdios de televisão do País, que poderá vir a ser a sede da 'Panflix'. O nome batiza um projeto sigiloso do empresário Antônio Augusto de Carvalho Pinto, o Tutinha, que hoje conduz a Jovem Pan, emissora que vocaliza o discurso da extrema-direita no Brasil e passou a enfrentar uma séria crise de imagem desde o afastamento do comentarista Marco Antônio Villa, que foi revelado ontem (saiba mais aqui).

Villa foi censurado e afastado por uma óbvia motivação econômica. Desde que começou a criticar personagens como Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Olavo de Carvalho e Ernesto Araújo, Villa se tornou 'persona non grata' nos círculos bolsonaristas. E recebeu a carta de afastamento compulsório por trinta dias no momento em que a Jovem Pan negocia verbas de publicidade oficial com a Secretaria de Comunicação do governo federal. Sem o dinheiro público, o projeto da Panflix, que é a grande aposta da Jovem Pan, fica ameaçado.

Em novo vídeo postado na noite de ontem, Villa desmentiu a Jovem Pan – que havia dito que ele saíra de férias – e disse não saber se seu afastamento foi determinado ou não por pressão de Bolsonaro (saiba mais aqui). Seu grande desafeto na rádio é o comentarista Felipe Moura Brasil, que organizou uma coletânea de artigos de Olavo de Carvalho e se tornou diretor de jornalismo da emissora, numa aposta feita por Tutinha para ganhar a confiança do núcleo duro do bolsonarismo e, assim, ter acesso aos cofres oficiais. Villa e Moura Brasil entraram em atrito pouco antes das manifestações deste domingo, que foram classificadas por Villa como "neonazistas".

A crise interna na Jovem Pan gerou protestos até mesmo no PSL. O deputado Alexandre Frota (PSL-SP) lamentou profundamente o que chamou de censura. O youtuber Felipe Neto, por sua vez, afirmou que a Jovem Pan ficou "de quatro" para o bolsonarismo e que os danos de imagem à rádio irão durar muito tempo. Certamente, o episódio mostra que Villa, um dos responsáveis pela propagação do discurso de ódio no País, acabou sendo vítima dos interesses econômicos de uma rádio que se tornou porta-voz do neofascismo.

Em entrevista à TV 247, o jornalista Florestan Fernandes Júnior avaliou o caso:


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