Reinaldo Azevedo diz que acabou caso 'hétero' entre Bolsonaro e a Lava Jato

O jornalista Reinaldo Azevedo escreve em sua coluna na Folha de S.Paulo desta sexta-feira (23) que as concepções de Estado policial que viveram um enlace amoroso pretensamente duradouro estão em choque: a da Lava Jato e a do presidente Jair Bolsonaro. E alerta que há risco de rompimento litigioso

247 - O jornalista Reinaldo Azevedo escreve em sua coluna na Folha de S.Paulo desta sexta-feira (23) que as concepções de Estado policial que viveram um enlace amoroso pretensamente duradouro estão em choque: a da Lava Jato e a do presidente Jair Bolsonaro. E alerta que há risco de rompimento litigioso.  

"Duas concepções de Estado policial que viveram um enlace amoroso que se pretendia duradouro estão em choque: a da Lava Jato e a do presidente Jair Bolsonaro. O amor acabou. E há o risco de rompimento litigioso. Não é surpresa para quem vê a política além dos movimentos de superfície. Fazê-lo é uma obrigação do analista. O cronista pode se contentar com os folguedos do dia" - escreve.    

Azevedo lembra que os "valentes da Lava Jato" viam no então candidato Bolsonaro "o homem certo no lugar certo".   

"Quando Sergio Moro foi alçado ao Ministério da Justiça, a equação parecia, então, se fechar. Pronto! A Lava Jato tinha desfechado, pela via do suposto legalismo e do combate à corrupção, um golpe de Estado. E com o apoio quase unânime da imprensa, que prestava aos procuradores o favor de executar os alvos que eles cuidadosamente selecionavam".  

"Acontece que Bolsonaro não era apenas uma gaveta vazia de passado, ainda que lotada de bordões fascistoides, que atentam com igual desassombro contra bichos, árvores ou pessoas".  "Quem tem Fabrício Queiroz tem medo. Sim, é preciso que a PF e a Receita se atenham a seu papel constitucional. Essa é a reivindicação das pessoas alinhadas com o Estado de Direito".  

"Isso nada tem a ver com a interferência do presidente na Superintendência da PF do Rio, sob o silêncio cúmplice de Moro —hoje mero cavalo de parada— ou com a deposição de quadros da Receita Federal na delegacia da Barra da Tijuca ou no Porto de Itaguaí (RJ), por onde passam as armas que ajudam a garantir tanto o poder do narcotráfico como o das milícias".  

"Quadros da PF e da Receita terão de decidir se reagem a Bolsonaro por apreço às regras do jogo ou se buscam uma acomodação, de sorte que o presidente continue a ser o garantidor do Estado policial desde que ninguém escarafunche a sua gaveta, bulindo com o seu Queiroz de estimação". 

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