Reinaldo Azevedo diz que nota da Anvisa sobre suspensão da vacina Coronavac é "terrorista"

"O texto mal esconde o viés terrorista", afirmou o jornalista Reinaldo Azevedo sobre a nota da Anvisa para justificar a suspensão dos testes da vacina Coronavac

Reinaldo Azevedo e caixas de CoronaVac
Reinaldo Azevedo e caixas de CoronaVac (Foto: Reprodução | Reuters)
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247 - Em sua coluna publicada no portal Uol, o jornalista Reinaldo Azevedo afirmou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) usou de terrorismo na nota que usou para anunciar a suspensão dos testes da vacina Coronavac, vacina contra o coronavírus desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo. 

"O texto mal esconde o viés terrorista", disse o colunista sobre a nota da instituição. "Comunicados do gênero não costumam tratar o risco de interrupção da pesquisa, conforme se lê no texto. Mais: o objetivo era anunciar a suspensão da pesquisa até que se avalie a ocorrência ou assustar as pessoas? O texto fala por si", acrescentou Azevedo. 

A Coronavac tem apoio do governo de São Paulo, João Doria (PSDB), desafeto político de Jair Bolsonaro, que também tem atacado os chineses, numa demonstração de submissão ao governo dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump.

No mês passado, Bolsonaro atacou o tucano e o país asiático: "Alerto que não compraremos vacina da China. Bem como meu governo não mantém diálogo com João Doria sobre Covid 19".

Atualmente, o Brasil ocupa o terceiro lugar em número de infecções por coronavírus (5,6 milhões), atrás dos Estados Unidos (10,4 milhões) e Índia (8,4 milhões). Em número de mortes, são 162 mil provocadas pela Covid-19 em território brasileiro, atrás apenas dos EUA (244 mil).

Bolsonaro chegou a dizer que "talvez tenha havido um pouco de exagero" na maneira como a pandemia foi tratada. Chegou a classificá-la como uma "gripezinha", em março, e perguntou "e daí?" ao ser questionado sobre os cinco mil mortos pela doença, em abril.

Leia agora a íntegra do comunicado da Anvisa para a suspensão da vacina publicado na coluna do jornalista:

Após a ocorrência de um "evento adverso grave"

Esse tipo de interrupção é previsto pelas normas da Anvisa e faz parte dos procedimentos de Boas Práticas Clínicas esperadas para estudos clínicos conduzidos no Brasil.

Com a interrupção do estudo, nenhum novo voluntário poderá ser vacinado. A Anvisa reitera que, segundo regulamentos nacionais e internacionais de Boas Práticas Clínicas, os dados sobre voluntários de pesquisas clínicas devem ser mantidos em sigilo, em conformidade com princípios de confidencialidade, dignidade humana e proteção dos participantes.

A Anvisa mantém o compromisso com o Estado brasileiro de atuar em prol dos interesses da saúde pública.

*De acordo com a RDC 9/2015, são considerados eventos adversos graves:

a) óbito;

b) evento adverso potencialmente fatal (aquele que, na opinião do notificante, coloca o indivíduo sob risco imediato de morte devido ao evento adverso ocorrido);

c) incapacidade/invalidez persistente ou significativa;

d) exige internação hospitalar do paciente ou prolonga a internação;

e) anomalia congênita ou defeito de nascimento;

f) qualquer suspeita de transmissão de agente infeccioso por meio de um dispositivo médico;

g) evento clinicamente significante.

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