Repórter mostra como opera o “exército” de Bolsonaro no WhatsApp

O jornalista Fred Melo Paiva, da Revista Carta Capital, infiltrou-se em grupos bolsonaristas para testemunhar a operação de comunicação criminosa que ainda sequer começou a ser coibida pelas autoridades competentes no país. Paiva diz: "nesse universo paralelo, Bolsonaro é o estadista incorruptível, o filho de Lula está em todas as falcatruas e o STF virou saco de pancadas'

(Foto: Reuters)

247 - O jornalista Fred Melo Paiva, da Revista Carta Capital, infiltrou-se em grupos bolsonaristas para testemunhar a operação de comunicação criminosa que ainda sequer começou a ser coibida pelas autoridades competentes no país. Paiva diz: "nesse universo paralelo, Bolsonaro é o estadista incorruptível, o filho de Lula está em todas as falcatruas e o STF virou saco de pancadas."

O nível dos textos é precário:

“BOMBA. Olha aí o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) recebendo propina, ele mesmo que chamou o Ministro Sérgio Moro de ladrão. Divulguem sem dó pra esse bandido safado perder o mandato. Isso a Globo ainda não mostrou é em primeira mão. Divulguem (sic).” 

A reportagem de Melo Paiva destaca: "a mensagem, sempre esse primor no trato com a língua pátria, foi postada às 8 horas e 22 minutos da terça-feira 8 no grupo de WhatsApp MG MILITANTES B17, encaminhada de outro grupo ou conversa privada. Seguiu-se então a prova do crime: o vídeo que mostra um senhor de meia-idade, flagrado pela câmera escondida, a enfiar maços de notas em sua farta cueca. Nada a ver com o deputado federal do PSOL. “Não tem nem semelhança”, comentou o também deputado e colega de partido Marcelo Freixo ao ver a fake new. “Esses caras não têm vergonha.” A postagem foi feita por uma pessoa que se identifica como Irany, DDD 37, interior de Minas Gerais. Se verdadeiro o seu perfil, trata-se de uma senhora já em idade avançada e cujo status do aplicativo descreve como “De bem com a vida”. A frase vem acompanhada pelo emoji do rostinho com corações a saltar dos olhos."

O jornalista descreve sua abordagem: "desde o dia 29 de setembro, este repórter encontra-se infiltrado em dois grandes grupos bolsonaristas no WhatsApp – o MG MILITANTES B17 e o BRASIL BOLSONARISTA RO, de Rondônia. O ingresso foi feito através de um “link de convite” disponibilizado na internet em lista onde constavam vários outros, separados por estados e capitais."

E relata o que fundamenta os grupos: "em 16 de setembro, pouco antes de surgirem tais acessos, o “filósofo” Olavo de Carvalho sugeriu organizar a militância. “A coisa mais urgente no Brasil é uma militância bolsonarista organizada”, disse o Napoleão do hospício em transmissão no Facebook. “Note bem, eu não disse militância conservadora, nem militância liberal, nem coisa nenhuma. Eu falei militância bolsonarista. A política não é uma luta de ideias, é uma luta entre pessoas e grupos.”

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