Retrato do fracasso neoliberal é o povo que sumiu das ruas do Natal

"Nenhum texto, reportagem ou análise econômica, pode ser tão expressivo do que se passa no Brasil que o par de fotos estampados hoje na capa do Estadão. Há na rua, menos da metade das pessoas que havia há seis anos, naquele 2010 do qual muita gente já esqueceu", diz o jornalista Fernando Brito sobre o retrato da crise econômica do País; "O cerne do projeto neoliberal é este: fazer 'desaparecer' uma parte da população. Que não vai à 25 de março, que não vai mais ao hospital, ou irá a um mais precário, como mais precária serão suas escolas, suas periferias, suas casas  lá onde a elite não as vê"

"Nenhum texto, reportagem ou análise econômica, pode ser tão expressivo do que se passa no Brasil que o par de fotos estampados hoje na capa do Estadão. Há na rua, menos da metade das pessoas que havia há seis anos, naquele 2010 do qual muita gente já esqueceu", diz o jornalista Fernando Brito sobre o retrato da crise econômica do País; "O cerne do projeto neoliberal é este: fazer 'desaparecer' uma parte da população. Que não vai à 25 de março, que não vai mais ao hospital, ou irá a um mais precário, como mais precária serão suas escolas, suas periferias, suas casas  lá onde a elite não as vê"
"Nenhum texto, reportagem ou análise econômica, pode ser tão expressivo do que se passa no Brasil que o par de fotos estampados hoje na capa do Estadão. Há na rua, menos da metade das pessoas que havia há seis anos, naquele 2010 do qual muita gente já esqueceu", diz o jornalista Fernando Brito sobre o retrato da crise econômica do País; "O cerne do projeto neoliberal é este: fazer 'desaparecer' uma parte da população. Que não vai à 25 de março, que não vai mais ao hospital, ou irá a um mais precário, como mais precária serão suas escolas, suas periferias, suas casas  lá onde a elite não as vê" (Foto: Aquiles Lins)

Por Fernando Brito, do Tijolaço - Nenhum texto, reportagem ou análise econômica, pode ser tão expressivo do que se passa no Brasil que o par de fotos estampados hoje na capa do Estadão.

O repórter fotográfico Márcio Fernandes, com extrema precisão, conseguiu reproduzir a foto feita por seu colega Leonardo Fernandes, há seis anos.

Tudo é perfeitamente igual na Rua 25 de Março, centro de comércio popular da cidade de São Paulo.

Tudo, menos o fato de que há na rua, menos da metade das pessoas que havia há seis anos, naquele 2010 do qual muita gente já esqueceu.

Esta metade, feita de gente – gente com família, crianças, amigos, pais idosos, gente que é tão cheia do direito de viver quanto eu ou você – sumiu. Tornou-se invisível, saiu, em maior ou menor grau, da roda da economia.

A sua ausência não é acidental. Seu desaparecimento é um projeto, um programa, uma estratégia da perversidade neoliberal.

Não existindo, eles não compram. Se eles não compram, a demanda cai e os preços não sobem. Se os preços não sobem, produz-se o “milagre” da redução do processo inflacionário e da corrosão de valor da moeda e adensa-se o sangue que se sugará da Nação pelo rentismo, pelos juros.

O cerne do projeto neoliberal é este: fazer “desaparecer” uma parte da população. Que não vai à 25 de março, que não vai mais ao hospital, ou irá a um mais precário, como mais precária serão suas escolas, suas periferias, suas casas  lá onde a elite não as vê.

O Brasil desta gente é como a 25 de março, basta metade existir. A outra metade é um problema, jamais uma solução.

E nunca seus irmãos.

O que nos dão hoje as imagens de Leonardo e Márcio, como nos versos do Chico Buarque, é uma foto que não era para capa, era mera contracara, a face obscura. Mostram mais que que o frio número de queda de 4% estimada nas vendas pela Confederação Nacional do Comercio, que a reportagem de Marcia Chiara registra.

E olhe que, em 2010, Leonardo fez a foto no dia 11. Faltavam duas semanas para o Natal e o 13°, para a maioria, ainda não havia sido pago. Márcio a fez agora, quando tudo deveria estar a pleno vapor.

O Brasil dos Levy, dos Meirelles, dos Moro e Dallagnóis é assim, bem mais civilizado.

A metade.

A outra metade que vá para a selva da barbárie e da exclusão.

 

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