Robôs contra Glenn são ação do comando bolsonarista

O jornalista Ivan Freitas demonstrou no Twitter a ação de robôs para subir a hashtag ShowdoPavão, em referência a uma conta suspeita com acusações fakes contra Glenn Greenwald, que divulgou escândalos da Lava Jato; Freitas também citou uma postagem de Filipe G. Martins, assessor especial da Presidência; quem responde no post é Carlos Bolsonaro (PSL): "já sabe o que fazer com as penas do pavão", disse

Robôs contra Glenn são ação do comando bolsonarista
Robôs contra Glenn são ação do comando bolsonarista (Foto: Gage Skidmore | Reuters | Reprodução)

247 - O jornalista Ivan Freitas (@Ivan) demonstrou neste domingo (16) pelo Twitter a ação realizada por robôs para fazer subir a hashtag ShowdoPavão, em referência a uma conta suspeita que trazia denúncias contra o editor fundador do The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, responsável pela divulgação dos escândalos da Operação Lava Jato em que o ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, tenta interferir nos trabalhos de procuradores e orientar as investigações.

Freitas fez uma análise de quantas postagens por segundo eram feitas com o termo que fazia referência à conta Pavão Misterioso, supostamente derrubada pelo Twitter, e que trazia várias acusações fakes contra Greenwald – falava-se em transações em bitcoins para Jean Willys e para um hacker israelense.

O jornalista constatou a atuação de robôs na divulgação da hashtag, que em poucos minutos alcançou a lista dos assuntos mais comentados do Twitter.

Ivan ainda coloca em evidência referências a Carlos Bolsonaro, o responsável pela arquitetura das redes sociais bolsonaristas.

O jornalista citou uma postagem do Filipe G. Martins, assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais. "Mue negócio segue sendo lealdade ao brasil, ao presidente da República e à agenda escolhida pelo povo brasileiro na urnas", disse Martins. Carlos Bolsonaro respondeu: "já sabe o que fazer com as penas do pavão".

Greenwald se pronuncia

No Twitter, o jornalista Glenn Greenwald afirmou que "qualquer um com uma racionalidade mínima ou tempo para pensar sobre isso imediatamente reconhece a estupidez desequilibrada disso, mas o objetivo é espalhar isso o suficiente para que as pessoas tenham suspeitas".

De acordo com o jornalista, se a rede de Bolsonaraists/@MBLivre/@tercalivre for fabricar documentos falsificados em inglês para tentar espalhar falsas acusações contra mim, pelo menos tenha a cortesia de não ser tão preguiçoso a ponto de errar as palavras básicas", disse.

"Devo acrescentar que não acho que o @MBLivre esteja envolvido nessa fraude. Uma pessoa chave do grupo ajudou a espalhá-lo, mas ele já o apagou. Isso foi divulgado pelo PSL, @TercaLivre, os disseminadores usuais bolsonaristas do Fake News e fraudes", disse.

"E da próxima vez que vcs quiserem forjar um documento em inglês, não esqueçam de expressar os números em inglês, não em português, pra que sua fraude não seja tão óbvia. Demora menos de 30 segundos pra usar o Google Tradutor. Haja preguiça".

Escândalos da Lava Jato

Desde o dia 9 deste mês, o site Intercep Brasil vem divulgando trechos de conversas entre Moro e procuradores, numa ação arquitetada para tirar o ex-presidente Lula da eleição presidencial. Num diálogo entre Moro e o procurador Carlos Fernando, Moro pede a procuradores para que eles divulgassem uma nota à imprensa para rebater o que ele chamou de 'showzinho' da defesa do ex-presidente Lula.   

A reportagem do Site The Intercept destaca que "os procuradores acataram a sugestão do atual ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, em mais uma evidência de que Moro atuava como uma espécie de coordenador informal da acusação no processo do triplex. Em uma estratégia de defesa pública, Moro concedeu uma entrevista nesta sexta-feira ao jornal o Estado de S. Paulo onde disse que considera "absolutamente normal" que juiz e procuradores conversem. Agora, está evidente que não se trata apenas de "contato pessoal" e "conversas", como diz o ministro, mas de direcionamento sobre como os procuradores deveriam se comportar." 

De acordo com outra reportagem, o procurador Deltan Dallagnol duvidava da existência de provas contra Lula, acusado de ter recebido um apartamento da OAS como propina. "No dia 9 de setembro de 2016, precisamente às 21h36 daquela sexta-feira, Deltan Dallagnol enviou uma mensagem a um grupo batizado de Incendiários ROJ, formado pelos procuradores que trabalhavam no caso. Ele digitou: 'Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornal e indícios frágeis… então é um item que é bom que esteja bem amarrado. Fora esse item, até agora tenho receio da ligação entre petrobras e o enriquecimento, e depois que me falaram to com receio da história do apto… São pontos em que temos que ter as respostas ajustadas e na ponta da língua'", diz o site.

Outra matéria apontou que Moro "sugeriu trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobrou novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão, mostram conversas privadas ao longo de dois anos".

No diálogo com Dalagnol pelo aplicativo Telegram ele escreve: "Talvez fosse o caso de inverter a ordem da duas planejadas". "Não é muito tempo sem operação?", questionou.

No trecho, publicado pelo The Intercept Brasil, Moro se queixa de que a operação não pode ficar muito tempo "parada", no que Dallagnol - em escandalosa relação promíscua e interessada entre juízo e Ministério Público - responde afirmando que haveria a necessidade de articular com os americanos. 

Leia o excerto das mensagens divulgadas: 

"Moro – 18:44:08 – Não é muito tempo sem operação?
Deltan – 20:05:32 – É sim. O problema é que as operações estão com as mesmas pessoas que estão com a denúncia do Lula. Decidimos postergar tudo até sair essa denúncia, menos a op do taccla pelo risco de evasão, mas ela depende de Articulacao com os americanos
Deltan – 20:05:45 – (Que está sendo feita)
Deltan – 20:05:59 – Estamos programados para denunciar dia 14
Moro – 20:53:39 – Ok"

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